A história do vinho de António José Seguro começa com uma ligação íntima ao seu pai. O interesse pela viticultura surgiu como forma de homenagear o desejo não concretizado do pai, Domingos Seguro, que sempre quis produzir e engarrafar vinho. Após o falecimento do pai em 2017, Seguro decidiu transformar essa vontade familiar em realidade. Na primeira fase, lançou um vinho com poucas garrafas, cerca de mil, com a dedicatória “em memória do meu pai” no rótulo, e essas garrafas esgotaram‑se rapidamente.
Essa recepção positiva mostrou‑lhe que o projeto podia ter futuro, e assim tomou a decisão de investir de forma mais estruturada na viticultura.
Seguro adquiriu uma quinta em Penamacor, na Beira Interior, região reconhecida pelas suas características vitícolas marcantes, com vinhas em alta altitude e solos graníticos, tradicionais na produção de vinhos tintos e brancos de personalidade singular.
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Na sua propriedade, plantou várias castas de vinha, dando origem a uma produção própria de vinho sob o nome “Serra P”, um rótulo que pretende refletir tanto o terroir da região como o vínculo pessoal do produtor com a terra onde cresceu.
Embora tenha começado como um projeto discreto, longe dos holofotes, com o próprio Seguro a afirmar que a produção não visava notoriedade mediática, o vinho acabou por assumir um papel simbólico, quer para ele enquanto produtor, quer para aqueles que o acompanham.
O objetivo de Seguro ao relançar a vinha e plantar novas cepas foi, segundo ele próprio, combinar tradição familiar com uma abordagem mais profissional à viticultura. A produção do vinho tornou‑se, assim, algo mais do que um passatempo: transformou‑se numa atividade de negócio, com vendas constantes e interesse entre consumidores.
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A viticultura da Beira Interior, onde se insere o projeto de Seguro, tem uma longa tradição que remonta a tempos antigos e é hoje formalmente organizada sob a Denominação de Origem Beira Interior, com características próprias que influenciam o perfil dos vinhos produzidos na região.
Para Seguro, este projeto vitivinícola não foi apenas uma incursão no mundo dos vinhos: foi um gesto de ligação às suas raízes familiares, um tributo ao pai e uma forma de afirmar um compromisso com o território que o viu nascer. Mesmo com a intensificação da sua atividade política, este lado “vitivinícola” da sua vida continuou a acompanhar‑o, tanto que o vinho produzido na sua quinta foi escolhido para momentos oficiais importantes — como foi o caso do almoço da sua tomada de posse presidencial. (conforme relatado em notícias do dia)