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Guerras na TV: o que dizer às crianças e como protegê-las emocionalmente

A exposição a notícias de conflitos internacionais, como os recentes acontecimentos na Ucrânia, Gaza ou Irão, tem levantado dúvidas entre pais sobre como abordar o tema com os filhos.

Com os recentes conflitos na Ucrânia, Gaza e Irão a dominar os noticiários, muitos pais enfrentam a dificuldade de explicar aos filhos o que se passa no mundo sem causar medo ou angústia desnecessária. A psicóloga clínica Marcela Matos, Professora Auxiliar na Universidade de Coimbra e Investigadora Sénior no CINEICC, alerta, em declarações ao PLATAFORMA, que o segredo está na presença e na escuta ativa.

“Muitas vezes, as crianças já têm contacto com estas notícias, seja pela televisão, internet ou conversas de adultos. Tentar esconder o tema não é eficaz; o mais importante é que exista um adulto capaz de explicar, contextualizar e tranquilizar”, afirma.

Segundo Matos, a abordagem ideal é iniciar a conversa de forma natural, quando a criança demonstra interesse ou curiosidade. “É útil começar por perguntar o que ela sabe ou pensa sobre o que está a acontecer. Isso ajuda a perceber medos, equívocos e níveis de compreensão, para depois adaptar a explicação de forma adequada à idade”, explica.

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A especialista salienta que não é necessário entrar em detalhes chocantes. “Mais importante do que transmitir uma grande quantidade de informação é mostrar disponibilidade, calma e segurança emocional. Saber que estão em segurança em casa e manter rotinas familiares estáveis ajuda muito a reduzir a ansiedade”, acrescenta.

Marcela Matos, Professora Auxiliar na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e Investigadora Sénior no CINEICC

Existem sinais claros de que a exposição constante a notícias de guerra está a afetar o bem-estar das crianças. Entre eles estão alterações no sono, pesadelos, irritabilidade, perda de apetite ou mudanças de comportamento. “Crianças pequenas podem ficar mais dependentes dos pais. Nos adolescentes, surgem frequentemente pessimismo, isolamento ou irritabilidade. Se estas alterações forem persistentes, é aconselhável procurar apoio profissional”, explica Matos.

Outro ponto relevante é evitar transmitir visões simplistas do conflito, como “bem contra mal” ou estereótipos sobre países e religiões. “As guerras têm múltiplas causas e, em todos os lados, existem pessoas a sofrer. Ensinar isto às crianças desenvolve empatia e capacidade de análise crítica”, sublinha.

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A conversa sobre os efeitos da guerra também pode ser transformadora. “Mesmo sendo um tema difícil, é possível incentivar atitudes solidárias, como participar em campanhas de ajuda ou aprender sobre outras culturas. Isso ajuda as crianças a canalizar preocupação em ações positivas e construtivas”, reforça.

Marcela Matos lembra que, na maioria dos casos, o diálogo em casa é suficiente. No entanto, se a ansiedade for persistente ou interferir com a vida diária, é fundamental recorrer a apoio psicológico. “O acompanhamento profissional permite à criança compreender melhor as emoções, desenvolver estratégias de regulação e sentir-se segura novamente”, conclui.

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