Início » Hengqin: Pilar da diversificação e das relações com o exterior

Hengqin: Pilar da diversificação e das relações com o exterior

A zona de cooperação de Hengqin é apresentada pelo Governo Central e pelo Executivo da RAEM como o principal instrumento para diversificar a economia de Macau, através da atração de tecnologia, finanças modernas e Medicina Tradicional Chinesa

Plataforma

Na última receção em Pequim ao secretário para a Economia e Finanças de Macau – 6 de fevereiro – o diretor do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau, Xia Baolong, voltou a sinalizar que Hengqin é “a principal plataforma para a diversificação da economia de Macau”; sendo por isso necessário “acelerar a promoção de indústrias estratégicas como as de tecnologia, finanças modernas e Medicina Tradicional Chinesa”.

Tai Kin Ip respondeu que “a RAEM vai aprofundar o investimento e a cooperação institucional em Hengqin”; criando “melhores condições para que empresas e residentes de Macau desenvolvam” o motor complementar do crescimento sustentável de Macau.

Leia também: Xia Baolong recebeu delegação liderada por Tai Kin Ip em Pequim

Hengqin surge nas diretrizes oficiais como uma oportunidade concreta para a diversificação económica de Macau, apoiada por documentos e discursos de membros do Governo Central e da RAEM.

O Outline Development Plan for the Guangdong‑Hong Kong‑Macao Greater Bay Area (Plano‑Quadro de 2019), emitido pelo Conselho de Estado e departamentos centrais, identifica a Grande Baía como área estratégica de integração económica e inovação; referindo‑se explicitamente à cooperação tripartida no sentido de garantir a complementaridade de capacidades e da espacialidade na zona de cooperação.

Neste enquadramento, as disposições oficiais sobre a Zona de Cooperação Guangdong–Macau em Hengqin (consolidadas no Acordo‑Quadro de Cooperação entre Guangdong e a RAEM; e subsequentes documentos de implementação) configuram Hengqin como plataforma destinada a receber atividades que, pela escassez de terrenos, e pela natureza do seu regime, dificilmente se implantariam na RAEM.

Em sucessivos discursos, o Chefe do Executivo tem destacado a integração regional como pilar da diversificação económica; e instrumento de política externa, no sentido em que Macau deve captar investimento estrangeiro para a Grande Baía.

Entretanto, Guangdong e Hengqin vão comunicando medidas práticas que potenciam a parceria trilateral: facilitar a mobilidade laboral e empresarial para residentes e empresas de Macau; regimes administrativos simplificados para projetos com participação de Macau; ou direitos de preferência em terrenos e infraestruturas para atividades definidas nas orientações conjuntas.

Os textos oficiais apontam vantagens para Macau, no curto e médio prazo: disponibilidade de terrenos para hospitais e centros de saúde de maior escala, parques científicos e incubadoras tecnológicas, centros de convenções e exposições, parques industriais orientados para serviços avançados… áreas explicitamente mencionadas como prioritárias para a integração funcional entre Macau e Hengqin.

Em documentos do Executivo da RAEM que tratam da internacionalização dos serviços, e orientações do Conselho de Estado sobre cooperação regional, sublinha-se a vocação de Macau como plataforma de serviços legais, financeiros e de mediação com mercados lusófonos.

Recomenda-se que, em Hengqin, Macau estabeleça centros de gestão de património, serviços de compliance, e estruturas de apoio jurídico e comercial que ampliem a prestação de serviços além das fronteiras.

Do lado do Governo Central, qualifica-se a Grande Baía como espaço de experimentação institucional, no qual se desenham políticas de maior abertura económica e de promoção do investimento e know-how externo.

Hengqin é descrita como zona onde se podem testar modelos regulatórios que conciliem o sistema jurídico e financeiro de Macau com os do Continente, facilitando operações transfronteiriças e o investimento externo.

Entre as prioridades da RAEM inclui-se a estratégia de aproveitar a vantagem linguística e histórica para o fomento de laços com os Países de Língua Portuguesa, descrevendo-se Hengqin como base operacional natural para transformar essa vocação em projetos concretos: hubs logísticos e de distribuição, escritórios de representação, centros de serviços multilíngues, e plataformas de arbitragem e consultoria que facilitem fluxos comerciais e investimentos com os parceiros lusófonos.

Leia também: Governo quer Centro para Países de Língua Portuguesa e Espanhola em Hengqin

Tese, essa, presente em vários documentos oficiais, bem como comunicados e discursos do Chefe do Executivo da RAEM, ministros responsáveis do Comércio da China, e do próprio Presidente Xi Jinping.

Nos planos oficiais de cooperação trilateral constam ainda medidas específicas para o desenvolvimento de serviços médicos e do turismo de saúde em Hengqin, com referência a parcerias entre instituições de Macau e hospitais ou centros de pesquisa no Continente. Mas também como a clusters de eventos, cultura e educação… que complementem a oferta de Macau.

Os riscos, assumidos nos documentos oficiais, merecem medidas mitigadoras: coordenação administrativa entre jurisdições, salvaguarda da propriedade intelectual, formação adequada de recursos humanos, mecanismos de governação público‑privada que assegurem a transferência de capacidades e benefícios partilhados… temas que constam de documentos estratégicos e relatórios emitidos pelo Governo da RAEM, em cooperação com autoridades de Guangdong e de Hengqin.

Em síntese, o corpus oficial do Plano‑Quadro da Grande Baía, acordos de cooperação, e mensagens políticas das autoridades locais, provinciais, e centrais, descrevem Hengqin como o espaço físico, institucional e jurídico onde Macau pode alocar atividades de maior escala; testar modelos regulatórios complementares ao seu sistema; expandir serviços financeiros e profissionais; desenvolver saúde de alta qualidade; e operacionalizar a sua função de ponte entre a Grande Baía e os Países de Língua Portuguesa. E agora, por extensão recente das estratégias oficiais, também com os mercados de língua espanhola.

A convergência entre planos, acordos, e discursos oficiais, confere a Hengqin papel central na diversificação económica de Macau, transformando declarações de intenções em instrumentos de política com medidas concretas consignadas em documentos governamentais.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website