O Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos, nos últimos dias, milhares de documentos relacionados com o caso Jeffrey Epstein, revelando referências a Macau e ao nome “Stanley Ho”, em registos do FBI e em trocas de emails datadas sobretudo da década passada, no contexto de investigações sobre crimes sexuais, tráfico de menores e redes de influência económica associadas ao milionário norte-americano.
De acordo com a análise feita pela TDM a estes ficheiros, tornados públicos no âmbito de processos judiciais e pedidos de acesso a informação, Macau surge centenas de vezes em documentos que incluem conversas sobre investimentos em casinos, viagens à região e contactos com figuras ligadas ao setor do Jogo.
Entre esses registos, há menções diretas ao nome “Stanley Ho”, tanto em comunicações privadas atribuídas a Epstein como num documento do FBI relativo a uma queixa de violação e tráfico sexual apresentada em 2020.
Nesse documento do FBI, a alegada vítima – cuja identidade foi truncada – afirma ter sido vítima de Jeffrey Epstein e de alguém identificado como “Stanley Ho”. A queixa refere situações de abuso sexual e tráfico ao longo de vários anos, num processo que a investigação classifica como envolvendo tráfico de menores.
O documento não fornece elementos adicionais que permitam confirmar de forma inequívoca se o nome mencionado corresponde ao magnata do Jogo, falecido nesse mesmo ano.
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Para além dessa referência, o nome de “Stanley Ho” surge também em emails trocados em 2011 entre Jeffrey Epstein e associados, nos quais o milionário norte-americano descreve “Stanley Ho” como o “homem mais rico de Hong Kong”, alegadamente com controlo sobre grande parte de Macau.
Numa dessas mensagens, Epstein questiona um interlocutor sobre a identidade de uma mulher chamada Angela, levantando a hipótese de se tratar de um familiar do empresário, embora não exista resposta posterior nos ficheiros agora divulgados.
Os documentos incluem ainda referências a membros da família “Ho”, como convites para jantares e menções a deslocações a Macau, embora muitas das mensagens e imagens estejam parcialmente truncadas. Há igualmente trocas de mensagens entre Epstein e Jean-Luc Brunel, agente de modelos condenado por crimes sexuais, nas quais Macau é descrita como destino de viagem, associada a casinos e a recrutamento através de agências na Ásia.
Macau aparece em centenas de documentos ainda em análise, muitos deles relacionados com o ambiente de investimento na região, receitas das operadoras de Jogo e interesses de empresários norte-americanos, segundo a TDM. Entre os registos constam também conversas envolvendo figuras políticas dos Estados Unidos, nas quais são discutidas ligações financeiras e a exposição de empresários com interesses no mercado do Jogo de Macau.