Sob orientação oficial, os enviados comerciais têm obrigação de manter a confidencialidade sobre informações sensíveis, comerciais ou políticas obtidas durante visitas oficiais. No entanto, os emails indicam que, em 7 de outubro de 2010, Andrew enviou a Epstein detalhes das suas viagens oficiais e, em 30 de novembro, terá reencaminhado relatórios oficiais dessas visitas, recebidos do seu assistente especial Amit Patel, apenas cinco minutos depois de os receber.
Em dezembro de 2010, Andrew afirmou à BBC que cortou relações com Epstein, mas, na véspera de Natal desse ano, terá enviado um briefing confidencial sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão, financiada pelo Governo britânico e supervisionada pelas forças armadas do Reino Unido. Epstein já era então um criminoso sexual condenado.
Sir Vince Cable, na altura secretário de negócios, disse: “Não tinha conhecimento de que Andrew partilhava informações sobre oportunidades de investimento [no Afeganistão], esta é a primeira vez que ouço falar disso.”
Em fevereiro de 2011, outro email sugere que Epstein poderia investir numa firma de capital privado visitada por Andrew uma semana antes.
Os termos oficiais de referência para enviados comerciais indicam que, embora “não sejam funcionários civis”, estes têm obrigação de confidencialidade relativamente a informações recebidas, que se mantém após o fim do mandato, sendo ainda aplicáveis os Official Secrets Acts de 1911 e 1989.
Andrew foi alvo de escrutínio durante anos devido à sua amizade com Epstein e perdeu os seus títulos reais em outubro do ano passado. Atualmente, vive no Wood Farm, na propriedade Sandringham, enquanto a sua nova residência permanente é renovada.