O Tribunal do Distrito Central de Seul condenou esta quarta-feira Kim Keon-hee, de 53 anos, a 20 meses de prisão por corrupção, incluindo a aceitação de subornos e privilégios indevidos enquanto primeira-dama da Coreia do Sul. Além da pena de prisão, a ex-primeira-dama terá de entregar cerca de 12,81 milhões de won (aproximadamente 72.110 patacas).
Kim foi acusada de receber presentes de valor da Igreja da Unificação em troca de favorecimento da organização religiosa em 2022 e de beneficiar politicamente da sua posição.
No entanto, foi absolvida das acusações relacionadas com manipulação do mercado acionista e violação das leis de financiamento eleitoral, uma decisão que o procurador especial descreveu como “difícil de aceitar” e da qual pretende recorrer.
Durante o julgamento, Kim foi ainda acusada de conspirar com Yoon para obter resultados ilegais de sondagens de opinião política, bem como de incentivar inscrições em massa de membros da Igreja da Unificação no Partido do Poder Popular para favorecer candidatos específicos. O tribunal, contudo, não encontrou provas suficientes que ligassem o casal presidencial a essas ações.
A ex-primeira-dama tornou-se a primeira esposa de um presidente sul-coreano a ser julgada enquanto detida, estando presa desde agosto do ano passado. No tribunal, Kim declarou-se inocente, mas reconheceu ter cometido erros e pediu desculpa por “ter causado problemas”.
O caso insere-se num período conturbado da política sul-coreana. O marido de Kim, Yoon Suk-yeol, foi destituído após uma breve declaração de lei marcial em 2024. Outros membros do seu governo, incluindo o ex-primeiro-ministro Han Duck-soo, também enfrentam condenações relacionadas com a lei marcial, enquanto a liderança da Igreja da Unificação foi alvo de detenções no âmbito das investigações.