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Brasil implementará política de isenção de visto para cidadãos chineses, incentivando cooperações múltiplas

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil concederá isenção de certas categorias de vistos de curta duração a cidadãos chineses, em reciprocidade à medida de isenção adotada pela China em 2025 para cidadãos brasileiros, informou nesta sexta-feira a Presidência da República.

Segundo um comunicado oficial, a decisão foi tomada no contexto do aprofundamento da cooperação entre Brasil e China, com o objetivo de facilitar ainda mais os intercâmbios entre povos e promover a interação bilateral. O governo brasileiro disse que a data específica de implementação da política de isenção de visto será anunciada posteriormente.

O anúncio provocou imediatamente um aumento nas pesquisas de viagens relacionadas ao Brasil. Dados da Qunar Travel indicam que Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília são as três cidades com mais pesquisas, cada uma registrando aumento de mais de cinco vezes ante a semana anterior, com Beijing, Shanghai, Guangzhou, Hangzhou e Shenzhen emergindo como os cinco pontos de partida mais populares. Segundo um pesquisador do Instituto de Pesquisa em Big Data da Qunar Travel, para o próximo feriado da Festa da Primavera de 2026, o Brasil ocupa o sexto lugar entre os países com o crescimento mais rápido em reservas de voos, registrando um aumento anual de 170%.

Zhou WeiHong, vice-gerente-geral da empresa de turismo chinesa Spring Group, observou que o intercâmbio de pessoal entre a China e os países sul-americanos tem tido um crescimento robusto nos últimos anos. A isenção recíproca de vistos entre China e Brasil, iniciativa do maior país da América do Sul, deve estimular ainda mais os turistas chineses a visitarem a terra brasileira. Prevê-se que aumente no futuro a proporção de itinerários dedicados ao Brasil nas rotas de viagem pela América do Sul, potencialmente impulsionando o desenvolvimento de pacotes de turismo imersivo no Brasil.

Segundo os dados do Embratur, o número de turistas chineses no Brasil cresceu 34% de janeiro a novembro de 2025. Nos primeiros 11 meses do ano passado, 94,4 mil destes visitantes desembarcaram no país sul-americano contra os 70,4 mil no mesmo período do ano anterior. O número é superior, ainda, ao número registrado nos 12 meses de 2024, de 76,5 mil.

A medida recíproca adotada pelo Brasil baseia-se nos sólidos alicerces estabelecidos pelos dois países nos últimos anos através do aprofundamento contínuo dos intercâmbios entre os povos e da facilitação das viagens. Em 2024, a China e o Brasil estenderam os vistos de turismo e negócios para passaportes comuns de cinco para dez anos, estabelecendo as bases para intercâmbios sustentáveis. A partir de 1º de junho em 2025, a China implementou uma política experimental de isenção de visto para cidadãos do Brasil, Argentina, Chile, Peru e Uruguai, válida até 31 de maio de 2026. Durante toda a vigência da política, os portadores de passaportes comuns desses cinco países podem visitar a China sem visto. Isso se aplica a viagens de negócios, turismo, viagens particulares, visitas de intercâmbio e viagens de trânsito, desde que as estadias não excedam 30 dias. A ação marcou a primeira extensão da política de isenção de visto da China para países da América Latina e do Caribe. Em apenas seis meses após a implementação, as pesquisas por voos do Brasil para a China aumentaram 85% em termos anuais.

Este ano marca o Ano da Cultura China-Brasil. A facilitação do fluxo de pessoas constitui a base social e cultural para esta cooperação aprofundada. Segundo análises profissionais, essa medida reflete a determinação mútua da China e do Brasil em elevar o patamar de suas relações, reforçando ainda mais seus laços culturais. A política facilitará as visitas recíprocas de educadores e estudantes, intercâmbios acadêmicos e apresentações culturais entre as duas nações, trazendo novas oportunidades para trocas culturais e educacionais.

José Medeiros da Silva, doutor em ciência política e professor na Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, testemunha na prática os benefícios: “Fico muito feliz com essa notícia. A minha esposa é chinesa. Agora, talvez possamos voltar ao Brasil com mais frequência, já que essa nova medida elimina essa necessidade de visto.” Ele acredita que a facilitação irá motivar especialmente os jovens, removendo um obstáculo burocrático significativo e incentivando intercâmbios culturais e educacionais. Esse movimento de estudantes, pesquisadores, familiares, comerciantes, empresários, políticos e diplomatas é um passo essencial para aprofundar o conhecimento mútuo.

Para além do âmbito cultural, a facilitação do fluxo de pessoas fortalece as densas relações econômicas entre os dois países. A China é o maior parceiro comercial do Brasil há 15 anos consecutivos. O comércio entre Brasil e China, membros importantes do BRICS, alcançou US$ 171 bilhões em 2025, o maior nível da série histórica iniciada em 1997. A isenção de visto reduzirá os custos para o intercâmbio de empresários.

Por essa ação, a maior facilidade para viagens de negócios e participação em eventos e feiras reduzirá atritos operacionais e promoverá a conexão de cadeias de suprimentos e o diálogo setorial entre os dois países. Sob esse efeito multiplicador, o fluxo de pessoas impulsionará o fluxo de bens e os eventos comerciais fomentarão a indústria e o comércio, o que proporcionará maior conveniência para a mobilidade de empresários, turistas, acadêmicos e outros grupos, além de reduzir custos de transação e estimular oportunidades de cooperação. As plataformas de comércio eletrônico, os operadores de armazéns no exterior e os investidores da China enfrentam agora oportunidades graças à isenção e serão substancialmente reduzidos os custos associados à realização de pesquisas de mercado, ao estabelecimento de fábricas e à expansão da presença no mercado brasileiro, disseram especialistas.

Ao mesmo tempo, a facilitação envia um sinal positivo claro ao mercado: a China e o Brasil, como países do Sul Global, aproveitam de forma sustentável as oportunidades geradas pelo desenvolvimento, investimento e consumo. Os interesses complementares e cada vez mais integrados entre os dois países constituem uma base sólida para essa parceria estratégica, que agora avança para novos patamares por meio de iniciativas concretas como a política de isenção de vistos, segundo especialistas.

Analisando o contexto mais amplo, José Medeiros da Silva destacou que a evolução dos laços sino-brasileiros desde 1974 tem sido “firme e segura em todos os aspectos”, impulsionada por interesses convergentes. A nova política é vista como um passo lógico neste percurso. “Se analisarmos a evolução das relações Brasil-China, perceberemos que esses laços avançaram de maneira firme e segura”, afirmou ele, ressaltando que ambos são nações que criam dimensões de possibilidades mútuas.

O professor expressou a confiança de que, ao incentivar os jovens a explorarem ambos os países, a amizade China-Brasil “florescerá por muitas gerações”, beneficiando não apenas os dois povos, mas contribuindo significativamente para a cooperação entre o maior país em desenvolvimento da Ásia e o maior da América Latina.

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