“Para as pessoas em Macau, 2025 foi um ano de ajuda e de dificuldade.” A avaliação é de Alex Cheng, director-geral do Addams Care Group, e resume um ano marcado por apoios governamentais e pressões persistentes sobre o custo de vida. Segundo Cheng, apesar das distribuições em numerário e dos programas de benefícios ao consumo, “o dinheiro foi rapidamente absorvido pelo aumento dos preços dos alimentos e de outros bens essenciais”.
A resposta do Governo em 2025 passou por um conjunto alargado de medidas destinadas a mitigar os efeitos da inflação, apoiar os grupos mais vulneráveis e manter a estabilidade económica. Chan Kin Sun, professor assistente em Administração Pública na Universidade de Macau, refere que “a combinação entre reforço da proteção social, estabilização económica, controlo da inflação e diversificação industrial permitiu manter Macau entre as regiões com maior esperança média de vida do mundo, aos 83,1 anos, e com uma taxa de desemprego muito baixa”.
O dinheiro [distribuições em numerário e programas de benefícios ao consumo] foi rapidamente absorvido pelo aumento dos preços dos alimentos e de outros bens essenciais
Alex Cheng, director-geral do Addams Care Group
Esses indicadores, segundo Chan, mostram que houve ganhos mensuráveis na qualidade de vida global, mesmo num contexto económico adverso. Ao mesmo tempo, o académico sublinha que o Executivo reconhece limitações persistentes, nomeadamente ao nível da “polarização económica” e da “acessibilidade à habitação”.
Avanços e limitações

“O princípio de otimizar com precisão os meios de subsistência da população esteve no centro das políticas de 2025”, explica Aeson Lei, presidente da Associação da Indústria de Restauração de Macau, sobre o pacote social incluído nas Linhas de Acção Governativa. Entre as medidas destacadas estiveram o aumento dos subsídios para idosos, os apoios à infância, a expansão dos serviços de saúde comunitários e a continuidade da construção de habitação social.
Foram igualmente introduzidas medidas como a redução dos tempos de espera nos serviços médicos, o alargamento das quotas das clínicas comunitárias e o lançamento de serviços de ambulâncias transfronteiriças com Zhuhai e Hengqin. Para Lei, estas iniciativas representaram um esforço mais direcionado para “responder às necessidades imediatas da população”.
“Os problemas relacionados com o custo de vida e a desigualdade mantiveram-se como grandes preocupações ao longo do ano”, explica Alex Cheng ao PLATAFORMA. Os impactos económicos continuaram a ser sentidos de forma desigual, com os residentes de baixos rendimentos e os pensionistas a beneficiarem mais dos subsídios diretos, enquanto as famílias de rendimento médio viram parte desses apoios anulada pelo “aumento generalizado dos preços”.
Chan Kin Sun acrescenta que os idosos, as pessoas com deficiência e os trabalhadores pouco qualificados permanecem “vulneráveis, sobretudo num contexto de transformação tecnológica e industrial”. Segundo o académico, estas pressões ajudam a explicar a “persistência da incerteza económica” sentida por muitos residentes.
Preparar terreno

“A atuação do Governo em 2025 preparou o terreno para reformas mais profundas em 2026”, diz ao PLATAFORMA Chan Kin Sun, que aponta a expansão da habitação pública e o reforço da “assistência social de precisão” como elementos centrais do novo ciclo. O académico refere ainda que a integração regional está “a produzir resultados concretos e multifacetados”, incluindo políticas de mobilidade e programas académicos alinhados com os objetivos de diversificação.
“Esperamos resultados tangíveis na implementação das políticas para as indústrias ‘1+4’.” diz Aeson Lei, que identifica como prioridades a aceleração da operação dos fundos industriais do Governo e o apoio focado a sectores emergentes, como a “indústria de saúde da medicina tradicional chinesa e as indústrias de alta tecnologia”. Para o dirigente associativo, é essencial garantir que “os dividendos das políticas cheguem verdadeiramente às entidades de mercado”, em particular às pequenas e médias empresas.
Esperamos resultados tangíveis na implementação das políticas para as indústrias ‘1+4’
Aeson Lei, presidente da Associação da Indústria de Restauração de Macau
“Mais de 28 mil residentes de Macau vivem e trabalham atualmente em Hengqin, e o volume de passageiros aumentou 32.8% em termos anuais”, refere Lei, apontando estes dados como sinal de uma integração regional em aceleração. Alex Cheng destaca, por seu lado, os subsídios mensais de 10 mil patacas para jovens de Macau a trabalhar em Hengqin, observando que “jovens empreendedores estão a aproveitar canais apoiados por políticas públicas para construir carreiras fora dos sectores tradicionais”.
“O princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ confere a Macau determinados privilégios, mas as diferenças daí resultantes nos sistemas jurídicos e, por vezes, os interesses regionais divergentes geram fricções persistentes”, adverte Cheng. Aos constrangimentos legais juntam-se, segundo o gestor, “os longos tempos de desalfandegamento” e as diferenças culturais, que continuam a dificultar a mobilidade transfronteiriça.
“Só através da implementação precisa das políticas e de esforços coordenados internos e externos é que Macau poderá demonstrar o seu valor único na integração na estratégia nacional de desenvolvimento.” A síntese de Aeson Lei resume a leitura comum dos entrevistados sobre os desafios colocados a 2026, num contexto em que a execução das políticas será determinante para o sucesso do novo ciclo.