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Carregamento eléctrico mais barato mas sem infraestruturas

Já no próximo mês, carregar veículos eléctricos fica 10% mais barato; o Executivo reforça a mobilidade verde e incentiva a transição energética. No entanto, são necessárias “mais políticas e medidas de carácter infraestrutural” alerta Joe Chan, vice-presidente da Sociedade Ecológica de Macau.

O Governo anunciou uma redução de cerca de 10% nas tarifas de carregamento público de veículos eléctricos, medida que entra em vigor a 1 de fevereiro. A decisão foi formalizada através de um despacho do Chefe do Executivo e representa o segundo corte nos preços do carregamento eléctrico num intervalo de dois anos.

A redução das tarifas enquadra-se na estratégia nacional da “Dupla Meta de Carbono”, que prevê que a China atinja a redução prevista de emissões de carbono, até 2030; e a neutralidade carbónica, até 2060. A redução das tarifas insere-se na estratégia nacional de aperfeiçoamento do sistema de mobilidade verde e de promoção da utilização de veículos eléctricos, e é assumida também por Macau.

Joe Chan acredita que o incentivo pode inicialmente funcionar, mas está longe de ser suficiente: “Atualmente, os veículos eléctricos representam ainda menos de 10% do total do parque automóvel de Macau, pelo que uma redução moderada do preço do carregamento pode levar mais residentes a considerar a transição para veículos eléctricos”, diz ao PLATAFORMA. No entanto, sublinha, persistem obstáculos significativos à adoção deste tipo de viaturas, nomeadamente a “conveniência do carregamento e os custos de manutenção a longo prazo, em particular no encargo associado à substituição das baterias”.

Atualmente, os veículos eléctricos representam ainda menos de 10% do total do parque automóvel de Macau, pelo que uma redução moderada do preço do carregamento pode levar mais residentes a considerar a transição para veículos eléctricos

Joe Chan, ambientalista

Nesse sentido, Joe Chan defende que a redução das tarifas deve ser acompanhada por outras medidas: “O Governo deve articular mais políticas e medidas de carácter infraestrutural, incluindo o aumento das instalações de carregamento, aperfeiçoamento dos serviços de manutenção e substituição de baterias, de modo a aumentar efetivamente a taxa de utilização dos veículos eléctricos”.

Em 2024, o Executivo já tinha procedido a uma revisão das tarifas de carregamento eléctrico, incluindo a redução do encargo energético nos carregamentos – médio e rápido – e a antecipação do início do período ‘horas de vazio’ do carregamento lento; das 23h00 para as 20h00. O novo despacho aprofunda essa linha de atuação, com uma redução uniforme das tarifas e o ajustamento da potência nominal de saída dos carregamentos lento e rápido (ver Quadro).

Além da descida dos preços, o Governo compromete-se a expandir e otimizar a rede pública de carregamento, prevendo o aumento do número de carregadores, e postos de troca de baterias – em parques públicos e bairros. O Executivo assume ainda negociar com a concessionária de energia eléctrica a otimização da plataforma de gestão do carregamento.
Joe Chan sugere uma estratégia ainda mais ampla: “No longo prazo, será necessário articular estas políticas com medidas legislativas relativas à gestão da densidade do tráfego e à eliminação progressiva de veículos antigos altamente poluentes, de forma a constituir um quadro político completo”.

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