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Irão enfrenta novos protestos em clima de forte repressão e apagão de comunicações

O Irão vive uma nova vaga de protestos que se estende por dezenas de cidades, com manifestações a decorrerem em condições de elevada repressão por parte das autoridades. O governo respondeu com a imposição de um estado de emergência e um apagão quase total das comunicações, bloqueando o acesso à internet e aos serviços de telefone, numa tentativa de limitar a coordenação dos protestos e o fluxo de informação.

Os protestos começaram por questões económicas, incluindo a desvalorização da moeda e o aumento do custo de vida, mas rapidamente evoluíram para um descontentamento mais amplo contra o regime teocrático. Forças de segurança e milícias armadas reforçaram a presença nas ruas, recorrendo a detenções em massa e uso de força letal em confrontos com os manifestantes. Relatórios de ativistas indicam que mais de quinhentas pessoas foram mortas desde o início das manifestações e milhares foram detidas.

Organizações de jornalistas denunciaram que dezenas de profissionais de comunicação foram detidos enquanto cobriam os protestos e sessões da Assembleia Nacional. Muitos tiveram telemóveis, câmaras e outros equipamentos apreendidos, num ambiente de crescente censura. Um porta-voz de associação de jornalistas afirmou que os colegas estão a ser detidos apenas por desempenharem o seu trabalho, considerando estas ações inaceitáveis e uma violação da liberdade de imprensa.

O líder supremo do Irão, aiatolá Ali Khamenei, tem defendido a resposta repressiva, acusando os protestos de serem fomentados por potências estrangeiras e apelando à população para rejeitar qualquer interferência externa. Em contraste, líderes da oposição no exílio encorajam as manifestações e apelam a que os protestos continuem até que sejam alcançadas reformas significativas.

O apagão de comunicações e os cortes de internet prolongados dificultam a verificação independente dos acontecimentos, isolam milhões de cidadãos e restringem o acesso à informação. A situação agrava ainda mais a crise socioeconómica, afetando a vida quotidiana, o acesso a serviços básicos e a mobilidade da população.

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