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Redesenhar a cultura local

Com o anúncio da criação da nova Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados, com três grandes equipamentos culturais previstos para 2026, o Governo quer reforçar o motor da diversificação económica, mas há pedidos de uma visão mais profunda para o setor. Tam Chi Chun, membro do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural questiona como nos “devemos preparar para que o desenvolvimento futuro seja mais do que apenas a adição de novos recintos”

Carol Law

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa para a sua área, sublinhou a esperança de atrair mais projetos culturais e artísticos de nível internacional que utilizem Macau como plataforma de intercâmbio e cooperação.

Para Tam Chi Chun, as novas infraestruturas irão moldar o planeamento cultural de Macau para, pelo menos, os próximos dez anos. Mas deixa um aviso: “Como nos devemos preparar para que o desenvolvimento futuro seja mais do que apenas a adição de novos recintos?”

Na sessão de perguntas e respostas sobre a área social e cultural, O Lam sublinhou que os trabalhos para 2026 incluem a coordenação da “Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau” e a construção de três instalações culturais de grande dimensão: o Museu Nacional da Cultura de Macau, o Centro Internacional de Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.

O objetivo, explicou aos deputados, é desenvolve-los enquanto instalações culturais com influência internacional, emblemáticas e de alto padrão, bem como, uma plataforma importante para a diversificação adequada da economia e criar novas oportunidades de emprego para os residentes.

Tam Chi Chun considera que a nova zona cultural e turística não só satisfaz as necessidades de Macau em termos de espaços para espetáculos artísticos e culturais, mas também representa um plano de desenvolvimento para a RAEM, servindo como “manual de respostas” do Governo em relação ao posicionamento estratégico nacional.

Os pontos de discussão podem incluir o papel da zona como plataforma, analisando o que as “plataformas internacionais no campo da arte contemporânea ou do património cultural estão a fazer atualmente e se os seus casos de sucesso poderiam ser replicados em Macau”, explica ao PLATAFORMA.

Para além das funções de exposição e transação, a nova zona poderá funcionar como um “centro de investigação cultural, uma plataforma de colaboração com ligações internacionais”, ou uma “plataforma técnica para a cooperação ou desenvolvimento entre a arte contemporânea e a tecnologia”.

“Como podem as novas infraestruturas enriquecer o papel estratégico da nossa plataforma? Quando soubermos que tipo de posicionamento estas instalações podem conferir á cidade, a orientação para os espaços e a captação de talentos poderão ser definidos com maior precisão”.

Ben Ieong, produtor da Associação local de Teatro “Hiu Koc”, está expectante em relação às novas infraestruturas da zona cultural e turística, nomeadamente ao tipo de estrutura de apoio à educação artística que o Governo irá implementar para garantir que, após a construção das instalações, haja talentos e público para apoiar o desenvolvimento artístico e cultural local.

“Produções de maior dimensão são completamente diferentes em termos de gestão, investimento técnico e escolhas artísticas. Por isso, penso que temos de começar a planear nesta fase, explica ao PLATAFORMA. E espera também que o investimento não se destine apenas a convidar espetáculos estrangeiros para Macau: “Se não se nutrir as pessoas daqui, então estaremos apenas a queimar dinheiro constantemente”.

Sistemas de proteção

No que diz respeito ao desafio da baixa taxa de natalidade, O Lam salientou que o Governo está a adotar medidas que incluem a manutenção da implementação do “plano de subsídio de assistência na infância”, atribuindo anualmente um total de 18.000 patacas a crianças menores de 3 anos, residentes permanentes de Macau, para ajudar a aliviar a pressão financeira das famílias com recém-nascidos. O Governo estima que, em 2026, cerca de 15.900 pessoas beneficiem desta política, representando uma despesa para os cofres públicos de aproximadamente 286 milhões de patacas.

Além de fornecer serviços de procriação medicamente assistida a residentes, o Governo prevê aumentar em cerca de 150 o número de vagas em creches para crianças com menos de dois anos. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, os Serviços de Saúde e o Instituto de Acção Social irão lançar, em conjunto, uma série de iniciativas de apoio parental.

Sobre o desenvolvimento da juventude, O Lam explicou aos deputados que o Governo irá avançar com um apoio estruturado em “quatro níveis” que favorece o desenvolvimento dos jovens, abrangendo o planeamento de carreira e desenvolvimento psicossocial no ensino não-superior, acesso ao ensino superior e estágios, escolha profissional pós-graduação e a progressão na carreira.

As medidas incluem a expansão do “Plano de carreira dos estudantes” para o 6.º ano do ensino primário, a otimização dos trabalhos de recomendação para o prosseguimento de estudos no Interior da China e o apoio aos jovens ao emprego no Interior da China.

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