Donald Trump fez o anúncio poucas horas depois de ter conversado com Xi por telefone, altura em que, segundo indicou, ambos discutiram assuntos como o conflito na Ucrânia, o combate ao opióide fentanil e o comércio de soja.
A chamada telefónica ocorreu quase um mês depois de ambos se terem encontrado na cidade sul-coreana de Busan.
As autoridades chinesas confirmaram o telefonema, sem mencionar as visitas de estado dos dois líderes, relatando que os assuntos discutidos incluíram a Ucrânia, comércio e Taiwan.
Após a conversa, o líder da Casa Branca considerou, numa mensagem na sua rede Truth Social, a relação com Pequim como “extremamente forte”, mas não fez referência à sensível questão de Taiwan.
De acordo com um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Xi disse a Trump que o regresso de Taiwan à China continental é “parte integrante da ordem internacional pós-guerra” e expressou esperança num “acordo de paz justo, duradouro e vinculativo” sobre a Ucrânia.
A conversa surgiu depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter afirmado recentemente que as forças armadas do Japão poderiam envolver-se se a China tomar medidas contra Taiwan.
No fim de semana, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que o Japão “cruzou uma linha vermelha que não deveria ter sido ultrapassada”.
Durante a chamada telefónica, Xi Jinping defendeu que a China e os Estados Unidos, que lutaram juntos contra o fascismo e o militarismo, devem “salvaguardar conjuntamente a vitória da Segunda Guerra Mundial”.
Os Estados Unidos não tomaram partido na questão da soberania de Taiwan, mas opõem-se ao uso da força para tomar o território. Por lei interna, as autoridades de Washington são obrigadas a fornecer armamento à ilha para dissuadir qualquer ataque armado.
No início deste mês, Taiwan informou ter recebido uma notificação oficial de que a administração Trump aprovou uma venda de armas no valor de 330 milhões de dólares, incluindo peças para caças.
Pequim protestou de imediato contra este negócio, afirmando que “violava grosseiramente” o princípio de “Uma Só China”.
Os dois líderes discutiram também a crise na Ucrânia, iniciada com a invasão russa em fevereiro de 2022, com Xi a dizer, segundo a diplomacia de Pequim, que a crise deve ser resolvida “na sua raiz”.
O Presidente chinês destacou o seu apoio a “todos os esforços que contribuam para a paz”, de acordo com o comunicado, apesar de governos ocidentais acusarem Pequim de viabilizar o esforço de guerra russo através do seu apoio industrial a Moscovo.
Na chamada, Xi disse ainda que a relação bilateral “tem mantido uma trajetória estável e positiva” desde a cimeira de Busan, e afirmou que ambos os lados devem esforçar-se para alcançar “progressos ainda mais positivos”.
A diplomacia de Pequim não revelou qualquer acordo concreto sobre assuntos como a compra de soja americana.