Segundo a PJ, os militares e o agente da PSP integrariam um grupo que recorria a uma empresa de trabalho temporário para explorar imigrantes em situação vulnerável. Os elementos das forças de segurança eram alegadamente usados para intimidar os trabalhadores e forçá-los a desempenhar funções em condições de exploração, funcionando como uma espécie de “serviço de segurança privada”, tanto nas explorações agrícolas como nas residências ocupadas pelos imigrantes.
“Através de empresas de trabalho temporário criadas para o efeito, aproveitava-se da vulnerabilidade destes trabalhadores, explorando-os, cobrando alojamento e alimentação, e mantendo-os sob coação através de ameaças, havendo mesmo vários episódios de ofensas à integridade física”, informou a PJ, que designou a operação como “Safra Justa”.
A operação mobilizou cerca de 100 inspetores da PJ e decorreu em várias localidades do Alentejo, bem como noutras zonas do país, com a execução de buscas domiciliárias e não domiciliárias. No total, foram cumpridos aproximadamente 50 mandados de busca e 17 mandados de detenção, em Beja, Portalegre, Figueira da Foz e Porto.
Os operacionais da PJ chegaram à localidade de Cabeça Gorda, em Beja, cerca das 4h30 da madrugada, deslocando-se simultaneamente às residências dos militares suspeitos e aos escritórios e casas de empresários agrícolas.
De acordo com os investigadores, trata-se de uma organização criminosa que controlava centenas de trabalhadores estrangeiros, a maioria em situação irregular em Portugal. “Ao longo de vários meses, a PJ realizou inúmeras diligências investigatórias que permitiram obter indícios e elementos incriminatórios, bem como traçar o quadro geral do funcionamento deste grupo violento, de estilo mafioso. Nesta operação, a PJ contou com a colaboração e suporte da GNR”, acrescentou a polícia.