Um desses casos é o de “Vlad”, nome fictício de um jovem que, aos 17 anos, viajou mais de 800 quilómetros para recolher uma bomba destinada a atacar uma carrinha do serviço de conscrição militar, de acordo com uma reportagem da BBC. A operação foi travada pelas autoridades, que detiveram o jovem antes da detonação. Agora com 18 anos, Vlad aguarda julgamento por terrorismo, podendo enfrentar até 12 anos de prisão.
De acordo com o SBU, plataformas como Telegram, TikTok e até videojogos são utilizadas para aliciar jovens através de ofertas de trabalho remoto e pagamentos elevados, sobretudo em criptomoedas. Muitos recrutadores apelam ao descontentamento gerado por denúncias de corrupção no serviço de conscrição ucraniano.
As investigações revelam uma escala de pagamentos por ataques incendiários a edifícios públicos e privados, variando entre 1.500 e 4.000 dólares, conforme a dificuldade do alvo. Vários canais continuam ativos, apesar de denúncias feitas ao Telegram.
Casos fatais também estão documentados. Em março, um jovem morreu e outro ficou gravemente ferido quando o explosivo que transportavam detonou antes do previsto. O SBU acusa os alegados controladores russos de, por vezes, detonarem os dispositivos remotamente, mesmo sabendo que isso mataria os menores envolvidos.
Moscovo rejeita todas as acusações, acusando por sua vez os serviços secretos ucranianos de recorrerem às mesmas práticas dentro do território russo.
Vlad deixa agora um aviso aos jovens ucranianos tentados por estas ofertas online: “Não vale a pena. Ou vos enganam e acabam na prisão como eu, ou a bomba explode nas vossas mãos.”