A proposta preliminar para a criação da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau está a circular entre vários setores locais para recolha de contributos técnicos e conceptuais. O PLATAFORMA teve acesso ao documento, que descreve uma reformulação cultural e urbana para a cidade, integrando museus, espaços de criação, centros performativos e áreas comerciais dedicadas à produção cultural. O plano assume como objetivo central reforçar o posicionamento de Macau como plataforma internacional de intercâmbio, alinhado com a estratégia “Um Centro, Uma Base” e com a política de diversificação económica.
A iniciativa propõe a criação de uma zona cultural de grande escala que articula três equipamentos principais. O primeiro é o Museu Nacional da Cultura de Macau, previsto para o terreno a leste da Torre de Macau, com uma área estimada entre 80 mil e 100 mil metros quadrados, destinado a acolher coleções, exposições, programas educativos, investigação e espaços de incubação artística. O segundo é o Centro Internacional de Artes Performativas, a instalar na zona oeste da Zona C dos Novos Aterros, com uma área entre 55 mil e 65 mil metros quadrados, dedicado a espetáculos de diferentes dimensões, formação técnica, ensaios e criação de novas produções. O terceiro é o Museu Internacional de Arte Contemporânea, previsto para a zona leste da mesma área, ocupando entre 35 mil e 45 mil metros quadrados e concebido para acolher exposições de arte, programas de intercâmbio internacional e novos modelos de comércio cultural.
O documento estabelece quatro metas estratégicas: criar uma plataforma que apoie a abertura externa de Macau; desenvolver um novo motor para as indústrias culturais; gerar oportunidades de emprego qualificado; e consolidar um marco cultural distintivo que responda às exigências de uma cidade globalizada. O plano apresenta ainda um conjunto de argumentos operacionais, defendendo que o projeto permitirá otimizar recursos, reduzir pressões sobre o erário público e integrar Macau em redes culturais da Grande Baía.
A proposta sustenta que os três equipamentos devem funcionar de forma articulada e complementar, conjugando exposição, criação, investigação, turismo e atividades comerciais. O objetivo é que a zona se torne num espaço que una a cultura chinesa e ocidental, promovendo criatividade, inovação e circulação de talentos. As funções de conservação de património, formação profissional, produção artística e apresentação pública seriam distribuídas entre as infraestruturas, permitindo uma cobertura ampla da cadeia de valor cultural.
A fase atual corresponde à recolha de opiniões, de forma a “alcançar consenso social”, segundo o documento. As contribuições deverão incidir sobre a adequação dos locais escolhidos, a integração urbanística dos equipamentos, as necessidades funcionais de cada estrutura e as prioridades para o desenvolvimento das indústrias culturais.