Foi inaugurada, no dia 24 de outubro, na Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais, a “Exposição das Artes Plásticas dos Países de Língua Portuguesa”, no âmbito da 17.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Em simultâneo, foi lançada a edição chinesa do livro do escritor angolano João Melo, “Será Este Livro Um Romance?”.
Organizado pelo Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e publicado conjuntamente pela Os Macaenses Publicações e pela Lijiang Publishing, o livro foi traduzido para chinês pela tradutora Chen Qian e lançado simultaneamente na China continental e em Macau.
Segundo a introdução, “o autor procura explorar as lutas e reflexões inerentes ao seu processo criativo, num tom humorístico e profundo, retratando de forma autêntica as realidades e emoções de Angola e, por extensão, de toda a África”.
“O narrador e o autor alternam a sua presença ao longo da obra, evidenciando a relação íntima entre literatura, narrativa e autoconsciência… O protagonista envolve-se em diálogos reflexivos sobre a estrutura do romance, mergulhando frequentemente em contemplações filosóficas e críticas às tradições literárias, sobretudo aquelas enraizadas em perspetivas centradas no Ocidente”.
O autor, João Melo, também tem sido uma figura ativa na política. Além de escritor, é jornalista, professor universitário e membro fundador da União dos Escritores Angolanos, sendo um nome de destaque na literatura angolana. Segundo o Angola Daily, o escritor, de 70 anos, escreve há mais de 50 anos. Tem publicados artigos em diversos meios de comunicação de Angola e de outros Países de Língua Portuguesa, e as suas obras foram editadas em África, América do Sul, Europa e Estados Unidos. Este ano estão ainda previstos lançamentos na Índia e na Polónia.
A obra foi publicada originalmente pela editora portuguesa Caminho em 2022, e esta é a primeira vez que um livro de João Melo é traduzido para chinês e publicado na China. Durante o lançamento, o autor, que participou por vídeo-conferência, explicou que a sua intenção inicial foi “refletir sobre o processo de escrita de um romance por um autor africano que escreve em língua portuguesa”.
“O desafio para escritores não ocidentais é como explorar o género sem ceder, digamos assim, a uma tentação ou a uma visão de modelo centrada. É sobre isso, basicamente, que reflicto neste meu livro”, disse.
João Melo manifestou também o desejo de que “o livro chegue ao maior número possível de leitores na China”.
Tradições Luso-Chinesas
No dia 25 de outubro, no Auditório do Carmo, na Taipa, durante o 7.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, foi apresentado o livro infantil bilingue ilustrado Na Memória.
Escrito por Catarina Mesquita e publicado pelo Instituto Internacional de Macau (IIM) e pela Mandarina Books, o projeto contou com o apoio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura e do Banco Nacional Ultramarino (BNU).
A história segue o formato de “um livro, duas histórias”, apresentando as perspetivas de Pou, um menino chinês, e Júlia, uma menina portuguesa, enquanto exploram as tradições chinesas e portuguesas e o património cultural imaterial de Macau. A obra é escrita em chinês e português e inclui autocolantes de vocabulário em chinês, português e patuá macaense, ajudando os jovens leitores a aprofundar o seu conhecimento sobre a cultura local.
A apresentação do livro contou com a presença de António Monteiro, Secretário-Geral do IIM, Paula Carion, representante da Associação dos Jovens Macaenses, e Adelina Chou, coordenadora de projetos especiais do IIM.
Numa mensagem dirigida aos presentes, lida por António Monteiro, a autora sublinhou que “a memória é um lugar que revisito com frequência e que considero muito importante para nos ajudar a perceber quem somos e do que são feitos os nossos lugares”.
“Para mim, este livro marca aquilo que não quero esquecer em Macau e a importância que cada dia tem nas nossas histórias singulares e, sobretudo, coletivas — porque de que vale ter memórias se não as pudermos partilhar?”, acrescentou.
António Monteiro salientou a importância de ensinar às crianças a História de Macau desde cedo. Este ano assinala-se o 20.º aniversário da inscrição do Centro Histórico de Macau na lista do Património Mundial da UNESCO, o que torna este lançamento particularmente oportuno. “A ideia é que pais e filhos leiam juntos sobre Macau — é uma forma de aprenderem juntos,” afirmou.
Por sua vez, Paula Carion destacou a relevância de cada família partilhar as suas próprias histórias com os filhos: “Acho importante que todas as famílias contem as suas histórias às crianças. Este livro não trata de uma parte específica da história de Macau; queremos transmitir a mensagem de que devem partilhar as vossas próprias memórias e histórias com os vossos filhos. Essa é a mensagem que queremos deixar”.


