O PSD de Luís Montenegro conseguiu uma vitória nas autárquicas deste domingo que foi alicerçada nos cinco principais concelhos portugueses, com a conquista do Porto, de Sintra e de Vila Nova de Gaia a juntarem-se à reeleição de Carlos Moedas em Lisboa e à previsível passagem de testemunho em Cascais. Mas o facto de controlar as maiores autarquias, coligado com o CDS (em todas menos Sintra) e com a Iniciativa Liberal (em todas menos Cascais), o que sucede pela primeira vez desde 2005, e de recuperar a liderança da Associação Nacional de Municípios Portugueses, perdida há 12 anos, não significa que tudo tenha corrido na perfeição para a coligação que governa Portugal.
Apesar de a noite descrita pelo primeiro-ministro como “histórica” – fez questão de dizer que o PSD venceu nas terras natais de José Luís Carneiro (Baião), André Ventura (Sintra) e Pedro Nuno Santos (São João da Madeira) – ter começado bem para o centro-direita, com as projeções das televisões a darem vantagem a Carlos Moedas, Pedro Duarte (Porto), Marco Almeida (Sintra) e Luís Filipe Menezes (Vila Nova de Gaia), ainda que os três primeiros estivessem em empate técnico com os rivais socialistas, o PS compensou as derrotas de Alexandra Leitão e de Manuel Pizarro nas principais cidades do país com a conquista de cinco capitais de distrito.
Duas dessas vitórias socialistas eram esperadas, comprovando-se que a divisão no eleitorado de direita ajudou António Pina a ser eleito em Faro, e que a erosão da CDU levou Carlos Zorrinho a vencer Évora, mas a vitória da ex-ministra Ana Abrunhosa sobre o incumbente José Manuel Silva em Coimbra era duvidosa e a da ex-deputada Isabel Ferreira em Bragança tudo menos clara. Ainda mais surpreendente foi a conquista de Viseu, pela primeira vez na história da democracia, com João Azevedo a derrotar o veterano social-democrata Fernando Ruas. Um quadro que poderia ter sido ainda mais positivo caso se tivessem confirmado as indicações de vitória em Braga, onde o até agora vereador João Rodrigues suplantou o veterano socialista António Braga por muito pouco.
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