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Primeiro-ministro do Japão anuncia demissão

O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, anunciou que se irá demitir após menos de um ano no cargo, período durante o qual perdeu a maioria em ambas as câmaras do parlamento

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O anúncio gera nova incerteza para a quarta maior economia do mundo, num momento em que o país enfrenta a subida dos preços dos alimentos e lida com as consequências das tarifas impostas pelos EUA ao vital setor automóvel.

Ishiba afirmou, numa conferência de imprensa, que o dominante Partido Liberal Democrata (PLD) deve preparar-se para uma eleição interna de liderança, permanecendo no cargo até então.

“Agora que as negociações sobre as medidas tarifárias dos EUA chegaram a uma conclusão, acredito que este é o momento apropriado”, disse.

“Decidi sair e abrir caminho para a próxima geração”, afirmou o político de 68 anos.

Visto como uma escolha segura, Ishiba assumiu a liderança do PLD em setembro de 2024, tornando-se o décimo homem do partido a servir como primeiro-ministro desde o ano 2000.

“Temos mudado de primeiro-ministro muitas vezes”, comentou Yuri Okubo, de 25 anos, a partir de um parque em Tóquio.
“Preocupa-me que, independentemente de quem seja o novo primeiro-ministro, nada vá mudar”.

Os opositores de Ishiba vinham a pedir a sua demissão como forma de assumir responsabilidade pelos maus resultados eleitorais, após o fraco desempenho do partido nas eleições para a câmara alta em julho.

As eleições para a câmara baixa, realizadas em outubro de 2024, resultaram no pior resultado do PLD em 15 anos.

Notícias nos media indicavam anteriormente que Ishiba queria evitar uma divisão no partido e que já não conseguia resistir à crescente pressão para se demitir.

O ministro da Agricultura e um antigo primeiro-ministro terão reunido com Ishiba no sábado à noite para o instar a demitir-se voluntariamente.

Quatro altos responsáveis do PLD, incluindo o número dois do partido, Hiroshi Moriyama, apresentaram pedidos de demissão na semana passada.

O mandato de Ishiba enquanto líder do partido deveria terminar em setembro de 2027.

“Embora tenha procurado acolher diferentes perspetivas e promover a harmonia, os meus esforços sinceros resultaram em perder o meu próprio caminho”, afirmou Ishiba, acrescentando que não se irá candidatar à eleição de liderança.

A sua principal rival, a nacionalista de linha dura Sanae Takaichi, foi a segunda mais votada na última eleição interna e praticamente confirmou na terça-feira que se apresentará novamente à corrida.

Uma sondagem do Nikkei, realizada no final de agosto, apontava Takaichi como a sucessora mais “adequada” para substituir Ishiba, seguida do ministro da Agricultura, Shinjiro Koizumi. No entanto, 52% dos inquiridos disseram que uma eleição interna não era necessária.

Após as eleições de julho, utilizadores das redes sociais apelaram à permanência do moderado Ishiba no cargo, através da hashtag “#Ishiba Don’t quit”.

O PLD governa quase continuamente desde 1955, mas tem vindo a perder eleitores, incluindo para grupos marginais como o populista Sanseito.

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