O primeiro-ministro português vem mesmo ao Interior da China e a Macau, nos dias 8/9 e 10, respetivamente, diz fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português. A agenda na Ásia pode estender-se no tempo, pondo em causa a presença de Luís Montenegro em Lisboa para receber Sam Hou Fai, cuja deslocação chegou a estar confirmada para 16/17 deste mês. O segundo destino não é oficialmente assumido, mas o PLATAFORMA sabe que a “dificuldade na conjugação” das datas deve-se ao facto de estar também a ser negociada a deslocação do governante português ao Japão.
Sam Hou Fai viajou para Pequim esta terça-feira, com uma enorme delegação de Macau (140 pessoas); curiosamente para assistir às comemorações dos 80 anos da vitória sobre o Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial. É nesse dia que percebe que a sua deslocação a Lisboa estava a abortar, numa altura em que estava já oficialmente assumida, com todo o programa em fase final de confirmação. Aliás, foi preocupação do Governo de Macau disparar contactos para avisar todas as partes – incluindo jornalistas – revelando uma forte preocupação por saberem que grande parte da delegação havia já marcado viagens, hotéis… assumido agendas, reuniões de negócios e compromissos profissionais em Lisboa.
O aviso apanhou todos de surpresa, incluindo muitas das pessoas que estavam em Pequim e já tinham agenda e logística preparadas para virem também a Lisboa com o Chefe do Executivo. Seguiu-se um enorme frenesim comunicacional, não só para abortar a viagem, como também uma série de eventos e combinações que estavam em marcha para dar força e visibilidade à deslocação do Chefe do Executivo, incluindo despesas e compromissos em muitos casos já assumidos.
Sendo assim, Luís Montenegro chega a Macau daqui a cinco dias; quase sem ser anunciado – outra grande surpresa diplomática. Mesmo sem que tenha sido possível apurar quantos dias Montenegro pretende estar no Japão, percebe-se que as datas estão muito encavalitadas para que possa estar em Macau, na China, no Japão… e ainda chegar a Lisboa com tempo e espaço na agenda para receber Sam Hou Fai. Também não foi ainda possível apurar se a decisão final de abortar foi tomada em conjunto; se foi Montenegro a entender que não era possível conjugar todo este calendário em tempo útil; ou se foi mesmo Sam Hou Fai que, a partir de Pequim, entendeu que seria melhor não insistir e avisar toda a gente; dando ainda alguns dias para que serviços, delegações comerciais, e outros ‘players’ políticos pudessem ainda corrigir agendas, controlar custos, inverter agendas e compromissos.
Nesses contactos, foi ainda possível perceber que, embora entenda tratar-se apenas de uma suspensão, mostrando-se disponível e interessado em reagendar a ida a Lisboa, Sam Hou Fai terá dado a entender a membros da comitiva que “nunca será para este ano”.