A magistrada decidiu a favor do credor Citicorp, fiduciário das obrigações da promotora emitidas em dólares, depois de a China South City não ter conseguido reunir apoio suficiente entre os seus credores, após meses de negociações para um plano de reestruturação.
No final do último exercício, o passivo do grupo ascendia a 60.900 milhões de dólares de Hong Kong.
Várias promotoras chinesas, como Evergrande ou Country Garden, entraram em incumprimento desde o início da crise imobiliária na China, em 2021, e enfrentaram pedidos de liquidação em Hong Kong, cujos tribunais já decidiram contra pelo menos em seis casos.
A decisão contra a Evergrande deu início a um longo e incerto processo, devido às dúvidas sobre o seu reconhecimento na China continental, onde se encontram a maioria dos ativos, já que o sistema judicial de Hong Kong é distinto do chinês, ao abrigo do estatuto de região administrativa especial.
A situação financeira de muitas imobiliárias chinesas agravou-se depois de Pequim anunciar, em agosto de 2020, restrições ao acesso a financiamento bancário para promotoras com níveis elevados de dívida, entre as quais a Evergrande, cujo passivo rondava 330.000 milhões de dólares.
Face à conjuntura, o governo chinês anunciou pacotes de apoio e os bancos estatais abriram linhas de crédito de milhares de milhões de dólares a várias promotoras. A conclusão das habitações vendidas em planta tornou-se prioridade, devido às implicações para a estabilidade social, dado que o setor imobiliário é um dos principais canais de investimento das famílias chinesas.
Ainda assim, o mercado continua em retração: as vendas comerciais, medidas pela área de terreno, caíram 24.3% em 2022, 8.5% em 2023 e 12.9% em 2024.
A crise do setor imobiliário, cujo peso no Produto Interno Bruto (PIB) chinês, incluindo efeitos indiretos, é estimado em cerca de 30%, é apontada por analistas como um dos principais fatores para a recente desaceleração da economia do país.