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Hong Kong desmantela rede de apostas ilegais ligada ao Mundial 2026

A polícia de Hong Kong deteve 150 pessoas num esquema de apostas ilegais pela internet. A operação surge quando as autoridades admitem que o Mundial 2026 pode voltar a alimentar o mercado paralelo

Lusa

A polícia de Hong Kong anunciou a detenção de 150 pessoas alegadamente envolvidas num esquema de apostas ilegais através da Internet e voltou a apelar contra as apostas ilegais no Mundial 2026 de futebol. Numa conferência de imprensa realizada na terça-feira (16) à noite, a polícia estimou que o grupo terá movimentado mais de 320 milhões de dólares de Hong Kong (35 milhões de euros) desde julho de 2025.

Numa operação que decorreu ao longo de três dias, cerca de 600 agentes realizaram rusgas em unidades industriais em vários locais da região semiautónoma chinesa. Os detidos têm entre 18 e 75 anos e incluem, além de 86 apostadores, titulares de contas bancárias usadas para branqueamentos de capitais e os alegados cabecilhas do grupo, que terão ligações às tríades.

As tríades, ou máfias chinesas, surgiram entre 1842 e 1930, quando membros de sociedades secretas da China continental imigraram para Hong Kong e formaram organizações de ajuda mútua.

A polícia acredita que desmantelou quatro centros de processamento de apostas, três centros de promoção e um local de recrutamento de apostadores, cujas apostas individuais atingiam 300 mil dólares de Hong Kong (32 mil euros). A operação teve como alvo oito portais não autorizados na região, que ofereciam apostas em futebol, corridas de cavalos e outros desportos, de acordo com a imprensa local.

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A concessionária sem fins lucrativos Hong Kong Jockey Club detém o monopólio das apostas em partidas de futebol e em corridas de cavalos na cidade. A polícia apreendeu um milhão de dólares de Hong Kong (110 mil euros) em dinheiro, quatro milhões de dólares de Hong Kong (440 mil euros) em bens, assim como computadores e telemóveis.

O superintendente Au Yeung-tak, do departamento de combate ao crime organizado e às tríades da polícia de Hong Kong, sublinhou que o Mundial de futebol “é uma época alta para apostas ilegais”. Antes do início do torneio, a polícia de Hong Kong já tinha previsto um aumento das apostas ilegais, depois de ter detido 735 pessoas durante o Europeu 2024 e 1.104 durante o Mundial 2022.

Em 2025, as autoridades registaram 374 casos de jogo ilegal, detiveram 4.482 pessoas e apreenderam registos que provam a existência de apostas no valor de 1,1 mil milhões de dólares de Hong Kong (121,7 milhões de euros). Em 9 de junho, a polícia da região sublinhou também que é ilegal usar plataformas estrangeiras para apostar em partidas, incluindo no mercado de previsões.

O aviso surgiu depois de a FIFA ter nomeado em abril a ADI Predictstreet como a primeira plataforma do mercado de previsões oficial de um Mundial de futebol, num contrato avaliado em 150 milhões de dólares (130 milhões de euros). Estas plataformas permitem aos clientes comprar e vender ‘contratos’ ligados ao resultado de eventos futuros políticos, desportivos ou culturais, sobre uma ampla gama de situações.

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