“O MNE foi informado que a data de visita está por remarcar”, responde o Ministério à pergunta do PLATAFORMA, em Lisboa, ficando claro que não lhe pertence a iniciativa, nem nada sabe sobre como está a ser gerida deste lado. Ou seja, nesta altura não estão em cima da mesa conversas entre as duas partes – nem sequer informais . Outras fontes conhecedoras do processo admitem que, quando em meados de abril Sam Hou Fai assumiu que iria a Portugal, “o mais cedo possível”, Lisboa terá estranhado essa declaração, pública e frontal, uma vez que os circuitos diplomáticos, numa primeira fase, estão habituados a gerir o tema na discrição dos bastidores, até que se conjuguem datas exequíveis para todos os intervenientes.
Seja como for, esse pequeno incidente, ao que apurámos, não chegou a criar melindre, nem qualquer bloqueio, a uma visita que, em Portugal, tradicionalmente conta com honras de Estado, sendo o Chefe do Executivo recebido pelo Presidente da República, primeiro-ministro, e presidente da Assembleia – como aconteceu com Ho Iat Seng. Aliás, circunstância única, que fontes diplomáticas acreditam não ser repetível em Espanha. A verdade é que a iniciativa de remarcação, deste lado, continua adiada. Aliás, apurou o PLATAFORMA, nos serviços que terão de se envolver na preparação dessa visita, “não há ainda instruções” nesse sentido.
Entretanto, a 10 de junho, em Faro, o Presidente da República portuguesa comunicou que não estaria a agendar uma eventual visita à China – intenção há muito comunicada por Pequim, por canais diplomáticos informais, no sentido de receber o chefe de Estado e/ou do Governo português. Disse na circunstância Marcelo Rebelo de Sousa que seria antes o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a visitar Macau e China, em setembro. Confirmando-se a vinda de Montenegro, o calendário político levanta novas restrições; ou seja, torna-se de todo improvável que Sam Hou Fai encavalite uma ida a Lisboa logo depois das eleições à Assembleia Legislativa em Macau, a 14 de setembro. Estratégia que, apurámos, terá sido ponderada entre o Palácio da Praia Grande e a diplomacia chinesa. Cruzando todas estas circunstâncias, e havendo em Portugal novas eleições – presidenciais – em janeiro, fonte conhecedora destes emaranhados formais remata: “É possível que ainda aconteça antes do final do ano, mas não me admiraria que fosse adiada para 2026”.
Comissão Mista em banho maria
Sem qualquer andamento que se conheça, entretanto, continua a preparação da reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, durante a qual Portugal pode aproveitar para debater dossiers como o direito de residência dos portugueses em Macau. Sobre essa Comissão, não há nesta altura qualquer afirmação indicativa; mas o PLATAFORMA sabe que a sua preparação inclui conversas entre o cônsul-geral de Portugal em Macau, e André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, que na RAEM acompanha o tema. No discurso do 10 de junho, Alexandre Leitão mencionou a importância da Comissão Mista; matéria omissa no discurso de Sam Hou Fai.