O Governo confirmou, em conferência de imprensa, que a SJM Holdings, Melco Resorts e Galaxy Entertainment Group, decidiram encerrar os seus 11 casinos-satélite. Tal acontece seis meses antes do final do período transitório de três anos, iniciado em 2022 com a nova Lei do Jogo de Macau, ao exigir que todas as operações de casinos sejam diretamente geridas pelas concessionárias, ou operem sob acordos de gestão sem partilha de receitas, a partir de 2026.
Jeffrey Kiang, analista da corretora CLSA, diz ao PLATAFORMA ter recebido o anúncio com “surpresa negativa”, pois acreditava na sobrevivência pelo menos dos casinos mais rentáveis: Kam Pek Paradise, Fortuna e Ponte 16. Entre os casinos encerrados estão ainda o Casa Real, Emperor Palace, Grandview, Landmark e Legend Palace, todos operados sob a SJM. A empresa explora ainda a possibilidade de adquirir e gerir diretamente L’Arc e o Ponte 16. “A SJM planeia ainda negociar a aquisição, acreditando que a continuação das operações será benéfica para o grupo”, comenta Kiang. Contudo, a Success Universe, que detém 49 por cento do Ponte 16, já assumiu não existir “nenhum acordo definitivo e/ou vinculativo assinado relativamente a proposta de aquisição” da SJM.
A Melco Resorts confirmou que encerrará o Grand Dragon e três Mocha Club, que operam em propriedades não detidas pelo grupo, pretendendo manter outros três, através de contratos de gestão com novas empresas. Entretanto, a Galaxy vai descontinuar o jogo no Waldo.
Apesar da escala dos encerramentos, Kiang considera “amplamente neutro” o impacto geral nas concessionárias, sendo até possível que a Galaxy e a Melco beneficiem de “um aumento mais imediato na rentabilidade”, realocando mesas e máquinas de jogo dos casinos que fecham para as suas principais propriedades.
Estamos surpreendidos que os encerramentos incluam [casinos] lucrativo
Jeffrey Kiang, analista da CLSA
A SJM deve também transferir mesas dos casinos encerrados para o Grand Lisboa Palace, numa operação que Kiang espera que processe “rapidamente”, de modo evitar quebras nos rendimentos da empresa.
O banco de investimento J.P. Morgan prevê que o encerramento dos casinos-satélite tenha impacto financeiro mínimo na Galaxy e na Melco, pois representam 1 a 2 por cento dos seus lucros brutos. Já no caso da SJM, os casinos-satélite representaram cerca de 4% dos seus lucros, nos últimos 12 meses.
A realocação de cerca de 440 mesas de jogo por parte da SJM pode ainda aumentar significativamente os custos operacionais. “Se a SJM não conseguir converter essas mesas adicionais em receita, poderá enfrentar riscos de perdas, devido a maiores custos de gestão e maior pressão salarial”, alerta a J.P Morgan.
Trabalhadores para transferir

Quanto aos quase 5.600 trabalhadores empregados nos 11 casinos satélites, o Governo sublinha que as operadoras são obrigadas a assegurar as proteções legais em vigor. Segundo o secretário da Economia e Finanças, Tai Kin Ip, 4.800 trabalhadores residentes estão diretamente contratados pelas três empresas de Jogo envolvidas, sendo os restantes 800 são funcionários dos casinos-satélite. SJM, Melco e Galaxy comprometem-se a realocar os trabalhadores residentes nas suas próprias operações – ou empresas associadas. Estão em causa 400 trabalhadores não-residentes, cujo futuro ainda ninguém se compromete a garantir.
O PLATAFORMA tentou confirmar junto das operadoras o número de funcionários empregados nos seus respetivos casinos, bem como detalhes mais específicos sobre a sua condição; contudo, todas se recusaram a esclarecer dados para além dos comunicados de imprensa. Até ao fecho desta edição, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais também não respondeu a questões enviadas sobre os planos de assistência a estes trabalhadores.
Se a SJM não conseguir converter essas mesas adicionais em receita, poderá enfrentar riscos de perdas devido a maiores custos de gestão e maior pressão salarial
J.P. Morgan
Segundo a corretora Citigroup, a maioria dos trabalhadores residentes está concentrada nos sete casinos satélites da SJM, em princípio absorvidos pela própria empresa. Aos funcionários debaixo de contrato dos casinos será oferecida a possibilidade de passarem para a concessionária, aumentando os custos fixos de uma empresa com volume considerável de dívida. “A potencial absorção de funcionários pode levar a um aumento das despesas da SJM já no primeiro trimestre de 2026”, avisa a corretora.
No universo de negócios associados, prevê-se que possam ser atingidos cerca de 800 trabalhadores – a tempo inteiro ou parcial – em cerca de 320 negócios relacionados com estes casinos, tais como casas de penhores, joalharias, lojas de bebidas alcoólicas e cigarros, e restaurantes, localizados nas zonas do NAPE e ZAPE.
Tai Kin Ip antevê que metade deles sejam afetados pelos encerramentos, descrevendo a transição iminente como “um desafio”, mas também “oportunidade” de renovação. “Temos uma série de medidas de apoio para aqueles que pretendam continuar ou criar novos negócios”, concluiu.