O aviso foi feito pelo diretor executivo da organização, Fatih Birol, que afirmou numa entrevista à rádio France Inter que a atual conjuntura configura “a maior crise da história” no setor energético. O responsável sublinhou ainda que os efeitos se somam a outras crises recentes, nomeadamente a do petróleo e do gás associadas ao conflito na Rússia.
A instabilidade agravou-se após ataques militares norte-americanos e israelitas contra o Irão, no final de fevereiro, levando Teerão a restringir a circulação no estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa uma parte significativa do abastecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
O bloqueio parcial da passagem de navios — permitido apenas a embarcações de alguns países — teve impacto imediato nos mercados internacionais, provocando uma forte subida dos preços da energia e aumentando o receio de desaceleração económica global.
Leia mais: Trump: acordo está para breve e Irão vai entregar urânio enriquecido (com vídeo)
Segundo a AIE, cerca de 20% do petróleo mundial transita habitualmente por esta via marítima, o que torna qualquer interrupção particularmente sensível para a segurança energética global. A agência estima que a recuperação da produção na região possa demorar até dois anos, prolongando os efeitos da crise.
Vários países começaram já a adotar medidas de emergência, incluindo restrições ao consumo energético e planos de contingência para combustíveis, numa tentativa de mitigar os impactos da escassez.
A situação permanece volátil, com efeitos particularmente severos em economias mais dependentes de importações energéticas, enquanto a AIE alerta que o sistema energético internacional se encontra sob uma pressão sem precedentes.