O Instituto para a Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que agora integra o Fórum Macau, reuniu em separado com cada uma das associações lusófonas envolvidas na Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, comunicando-lhes que, este ano, a 17.ª edição do evento não teria lugar em Macau, mas sim em Zhongshan, província de Guangdong. Finda esta estratégia – inédita – de “pesca à linha”, as associações conversaram umas com as outras e optaram por tomar uma posição conjunta, por escrito: nela rejeitam a exclusão de Macau e reivindicam uma série outras questões que consideram necessário serem corrigidas.
A missiva à qual o PLATAFORMA teve acesso reconhece “o mérito da iniciativa de estender a Semana Cultural ao Interior da China, proporcionando uma nova oportunidade de intercâmbio e difusão das nossas tradições. No entanto, enquanto associações lusófonas sediadas em Macau, reiteramos a importância de preservar a realização do evento na RAEM, mantendo-a como o centro nevrálgico desta celebração cultural. Macau tem sido, ao longo da História, a ponte entre as culturas lusófona e chinesa, e acreditamos que este carácter deve permanecer”.
Na sequência da reação das associações, o Fórum Macau reuniu ontem à tarde, com os delegados lusófonos, tendo depois enviado ao PLATAFORMA uma nota de imprensa, onde assume o objetivo de “garantir o êxito do evento, tanto em Macau como na Grande Baía, para todas as partes envolvidas, bem como para os participantes e o público”. Esclarece ainda a nota que, “em conformidade com a decisão tomada por todas as partes participantes do Fórum de Macau, na 20.ª Reunião Ordinária do Secretariado Permanente, de incluir elementos da Semana Cultural na Grande Baía, o Secretariado Permanente tem mantido diálogo com várias cidades da Grande Baía para definir a melhor opção que permita otimizar os objetivos acima referidos. Para o efeito, o Secretariado Permanente está a colaborar com todos os seus parceiros, sejam eles governamentais ou da sociedade civil, incluindo as associações dos Países de Língua Portuguesa em Macau, com vista a acolher e integrar todas as ideias, preocupações e contributos que recebeu e continua a receber. Estamos confiantes de que, através do diálogo e da colaboração estreita, todas as partes integrantes alcançarão um novo patamar de intercâmbio de experiências culturais no domínio da cultura, reforçando o papel de Macau como plataforma de cooperação”.

Para além da posição estratégica, em defesa da centralidade de Macau, sabe o nosso jornal que se vão adensando incómodos em relação a algumas alterações orgânicas e funcionais, que parecem querer transformar as associações lusófonas numa espécie de “papel de embrulho”, na expressão de fonte que pede anonimato. Por um lado, porque a integração do Fórum Macau no IPIM tira-lhe autonomia funcional; e, com isso, a capacidade de influência dos delegados lusófonos do Fórum, de quem as associações são mais próximas e com quem têm mais afinidade. Por outro lado, desde o passado a organização do evento está entregue a uma empresa; e este ano, pretende-se também que seja entidade externa a marcar as datas, viagens, hotéis… retirando às associações flexibilidade na gestão do evento; quer do ponto de vista financeiro, quer logístico e relacional. Ou seja, as associações indicam quem possa vir; e pouco mais… Nem sequer recebem os artistas quando chegam nem têm margem para com eles socializar e os integrarem no ambiente local. Razão pela qual, na missiva que enviaram, aproveitam para tentar corrigir uma série de pontos, para além do local do evento.
Pontos fortes na tomada de posição das associações
- Manutenção da Semana Cultural na RAEM, garantindo a continuidade nos moldes que têm assegurado o seu êxito.
- Maior divulgação do evento junto da comunidade e visitantes, reforçando a sua visibilidade e impacto.
- Foco no apoio financeiro às associações, assegurando recursos adequados para a sua participação e desenvolvimento de actividades.
- Limitação da intervenção de empresas que não conhecem o conceito cultural desenvolvido ao longo dos anos, garantindo fidelidade aos valores originais do evento.
- Realização de uma mostra cultural numa cidade a definir pela Instituição, mediante consulta às associações colaboradoras, preferencialmente durante um fim-de-semana.
- Isenção de quaisquer taxas aduaneiras e impostos sobre importação e exportação de produtos e peças destinadas à exposição e comercialização.
- Facilidade na emissão de vistos para artistas, artesãos e colaboradores das associações, garantindo a sua participação sem entraves burocráticos.
- Transporte adequado para os participantes, incluindo deslocações de ida e regresso, bem como transporte local.
- Alojamento digno e adequado para as equipas das associações e respectivos artistas e artesãos.
- Convite e autorização para estudantes de língua portuguesa no Interior da China colaborarem activamente com as equipas da RAEM.
- Constituição de um grupo de trabalho composto por representantes da RAEM e do Interior da China, visando a coordenação eficaz das actividades.
- Realização de uma reunião conjunta entre todas as associações envolvidas, permitindo esclarecimento de dúvidas e definição de estratégias organizacionais dentro do prazo disponível.
- Caso seja possível participação da equipa do Interior da China nesta reunião; acreditamos que tal contribuirá significativamente para o êxito da organização e implementação da Semana Cultural.