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Harvard – a universidade com quase 400 anos que comprou a ‘guerra’ com Trump

Fundada em 1636, em 1776 teve oito alunos entre os signatários da Declaração de Independência. Hoje a instituição onde estudaram oito presidentes dos EUA e 162 Nobéis está na mira de Trump

Faltavam ainda 140 anos para os Estados Unidos declararem a independência quando em 1636 o Grande Tribunal Geral do Governador da Colónia da Bahia de Massachusetts, na Nova Inglaterra, aprovou 400 libras para o estabelecimento de “uma escola ou universidade”. Esta viria mais tarde a ganhar o nome de Harvard, em homenagem a John Harvard, o pastor calvinista que dois anos depois doou uma biblioteca de 400 livros e metade das suas propriedades na atual Cambridge à Universidade, reforçando aquela instituição. Os primeiros nove alunos formaram-se em 1642, mas o prestígio de Harvard foi crescendo. E se dúvidas houvesse, basta pensar que pelos seus bancos passaram oito dos 45 presidentes dos Estados Unidos (apesar de Donald Trump ser o 47.º, dois repetiram o feito, Grover Cleveland e o próprio Trump) e uns impressionantes 162 prémio Nobel. E que oito alunos de Harvard estavam entre os signatários da Declaração de Independência.

Hoje Harvard está nas notícias devido à “guerra” com a Administração de Donald Trump que, depois de ter cortado o equivalente a 2,4 mil milhões de euros em financiamento público à universidade, revogou a sua licença para acolher estudantes internacionais para o próximo ano letivo. Esta nova tentativa de conter o “ativismo de esquerda e o liberalismo” deverá forçar milhares de estudantes a transferir-se para outras universidades ou a abandonar o país. O Departamento de Segurança Interna fez o anúncio na quinta-feira, acusando Harvard de promover uma atmosfera insegura no campus ao permitir que “agitadores anti-americanos e pró-terroristas” atacassem estudantes judeus nas suas instalações.

Ora neste momento os estudantes estrangeiros representam 27% do total de alunos da instituição da Ivy League. São 6751, entre eles 11 portugueses, segundo os números dados por Harvard. Os chineses representam o maior contingente, 1390, seguidos dos canadianos, 751, e da Índia, 578. No início dos anos 2010, Xi Mingze, a filha do presidente chinês, Xi Jinping, foi uma dos alunos chineses a tirar o curso em Harvard.

No primeiro lugar do ranking de Xangai e consistentemente colocada no Top 3 das várias classificações das universidades mundiais, Harvard contou claro com alunos notáveis – além de presidentes americanos (de John Adams e John Quincy Adams a John F. Kennedy, de Teddy Roosevelt Barack Obama), também outros líderes mundiais como a paquistanesa Benazir Bhutto, a irlandesa Mary Robinson, a liberiana Ellen Johnson Sirleaf ou os canadianos Pierre Trudeau e Mark Carney, quase duas centenas de bilionários, como Mark Zuckerberg, e também atletas como a velocista Gabrielle Thomas, que nos Jogos Olímpicos de Paris no ano passado ganhou três medalhas de ouro, e ainda dez vencedores de óscares da Academia, de Jack Lemmon, Melhor Ator em 1974 a Mira Sorvino, Melhor Atriz Secundária em 1992.

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