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Número de vítimas mortais do sismo em Myanmar ultrapassou três mil

A junta militar que está no poder em Myanmar (antiga Birmânia) anunciou hoje que o número de vítimas mortais do sismo que afetou o país em 28 de março ultrapassou as três mil.

O novo balanço das consequências do abalo de magnitude 7,7 na escala de Richter hoje divulgado pelas autoridades em Rangum elevou para 3.002 o número de mortos, enquanto o número de feridos caiu para 4.515, e prosseguem ainda as operações de busca por sobreviventes.

O anterior balanço, divulgado na quarta-feira, apontava para 2.886 mortos e 4.639 feridos.

Num artigo publicado no jornal oficial birmanês Global New Light, os militares explicaram que o novo balanço assenta em dados recolhidos até à tarde de quarta-feira e inclui 351 desaparecidos.

O sismo, que motivou a declaração de emergência em seis regiões, provocou a derrocada ou danos parciais em quase 21.800 casas, 805 edifícios de escritórios, 1.041 escolas, 921 mosteiros e conventos, 1.690 pagodes, 312 edifícios religiosos, 48 hospitais e clínicas e 18 hectares de plantações, segundo a junta.

Só na quarta-feira, prossegue o comunicado, 49 aviões aterraram em Myanmar carregados com ajuda internacional, estão no terreno 1.915 equipas de resgate e mais de 714 toneladas de materiais estão a ser entregues nas zonas de emergência, onde a Organização das Nações Unidas estima que vivam cerca de 10 milhões de pessoas.

Também na quarta-feira, as equipas de socorro resgataram três homens vivos, que passaram cinco dias presos sob os escombros.

Na quarta-feira, a junta militar declarou um cessar-fogo até 22 de abril na guerra civil em curso no país, para facilitar a ajuda à população.

O cessar-fogo temporário foi também decretado para mostrar compaixão para com as pessoas afetadas, informou a televisão estatal de Myanmar.

O anúncio, feito através de um comunicado do alto comando militar, segue-se a cessar-fogos temporários unilaterais, declarados por grupos de resistência armada que se opõem ao regime militar.

A estação pública de televisão indicou que os grupos armados étnicos e as milícias locais devem abster-se de atacar as forças de segurança do Estado e as bases militares, e não devem organizar-se, reunir forças ou expandir as suas áreas de influência.

Se tais grupos não cumprirem essas condições, o exército tomará as “medidas necessárias”, segundo o comunicado.

Segundo a oposição democrática, que controla partes do país, cerca de 8,5 milhões de pessoas foram “diretamente afetadas” pelo terramoto no país em guerra.

O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas afirmou que só em Naypyidaw mais de 10 mil edifícios ficaram destruídos ou gravemente danificados.

O sismo também abalou a vizinha Tailândia e provocou a queda de um edifício em construção, soterrando um número indeterminado de trabalhadores.

Na quarta-feira, o balanço atualizado por Banguecoque dava conta de 29 mortos e 34 feridos, 22 dos quais no local da construção.

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