A degradação da popularidade do primeiro-ministro foi mais rápida que a da intenção de voto na AD, de acordo com os dados das duas sondagens da Pitagórica. Na primeira, recolhida entre 23 e 27 de fevereiro, já depois das primeiras notícias sobre a empresa familiar, mas quando não eram ainda conhecidos, nem os clientes, nem os montantes pagos, Luís Montenegro passou de um saldo positivo de 18 pontos para 15 pontos. No mesmo intervalo de tempo, a AD crescia de 33% para 35,6%.
Mulheres e jovens salvam primeiro-ministro
As piores notícias, no entanto, começaram a desenhar-se no início de março, com uma segunda sondagem, iniciada já depois do Conselho de Ministros extraordinário e da comunicação do primeiro-ministro ao país, do anúncio da moção de censura da CDU, e quando o PS prometia avançar com uma comissão de inquérito: o primeiro-ministro caiu para um saldo positivo de um ponto (47% de notas positivas e 46% de notas negativas) e a coligação que suporta o seu Governo desceu para 33,5%, mas acima do que conseguiu nas legislativas de 2024 (28,8%).
A análise aos vários segmentos da amostra revela que Montenegro já está em terreno negativo entre os homens (são as mulheres que evitam a queda no vermelho, com um saldo positivo de três pontos). O mesmo acontece quando o ângulo incide sobre as faixas etárias: tem saldo negativo nos dois escalões acima dos 35 anos, sendo salvo de uma avaliação geral negativa pelos mais jovens (saldo positivo de 11 pontos). O cenário é idêntico na abordagem às classes sociais: perdeu os favores dos mais pobres e da classe média e só se mantém à tona graças aos que têm melhores rendimentos (saldo positivo de cinco pontos).
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