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Uma pérola na Grande Baía

O Complexo Cultural e Artístico de Hengqin, com uma área total de 142.560 metros quadrados, foi inaugurado em Dezembro e destina-se a servir a Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. Configura-se como ponto de encontro comunitário; passo significativo para a integração cultural do Delta do Rio das Pérolas

Margarida Saraiva

O complexo, projetado pelo Atelier Apeiron Architects, liderado por Yunchao Xu, destaca-se pela sua arquitetura imponente, caracterizada por arcos de grande escala que orientam o acesso aos três principais pavilhões que o compõem. A equipa de Yunchao Xu venceu, em 2018, um concurso do governo chinês para a conceção deste ambicioso projeto.

Localizado entre a montanha e o rio, e rodeado por torres residenciais e um parque urbano, o complexo apresenta uma arquitetura que se desenvolve em socalcos, com um arco que se estende da montanha até ao rio, integrando-se harmoniosamente na paisagem. No rés-do-chão, três arcos imponentes proporcionam aos visitantes uma sensação de transparência e fluidez. O design evoca, de certa forma, o estilo icónico de Oscar Niemeyer, com luz natural a inundar os espaços interiores através de claraboias que se ligam aos jardins no topo, criando palcos ao ar livre com vistas incríveis sobre o rio e a montanha.

Segundo Yunchao Xu, o design foi concebido para fomentar um sentido de comunidade, com os três arcos a conduzir a espaços distintos: o Salão do Conhecimento, o Salão de Performances e o Salão de Exposições. O Salão do Conhecimento, inspirado na Biblioteca Central de Helsínquia, será um centro de atividade pública, enquanto o Salão de Performances servirá como um núcleo para as artes performativas. O Salão de Exposições, dotado de claraboias estrategicamente posicionadas, albergará exposições de arte e ciência.

O complexo, que inclui uma biblioteca, um centro de arquivos, uma sala de concertos, um centro cultural, uma galeria de arte, um museu de ciência e áreas de atividades para crianças, mulheres, idosos e jovens, foi projetado com um sistema modular que assegura a diversidade de espaços. As plataformas ajardinadas no topo do complexo englobam um palco semicircular, um auditório circular, um parque temático infantil, restaurantes e áreas de lazer, cobrindo 65% da área com um sistema de irrigação sustentável.

Com a conclusão das questões arquitetónicas e estruturais, surge um novo desafio: como irão os governos da Grande Baía colaborar na programação dos espaços culturais? Será que promoverão um crescimento integrado da cena artística e cultural ou competirão individualmente pelo público da região? Que programação artística e cultural poderá o complexo de Hengqin oferecer para atrair os apreciadores da arte e da cultura da Grande Baía?

Estas questões são cruciais para o futuro do complexo e da região, incluindo a representação equilibrada das diversas culturas da Grande Baía, a promoção da sustentabilidade ambiental e social, a acessibilidade para todas as camadas da população, e a colaboração com artistas locais. É vital que o complexo se posicione como um destino cultural internacional, atraindo visitantes de fora da região, bem como oferecendo programas educacionais e de formação para novas gerações de artistas e gestores culturais.

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