Cerca de 6,300 ataques cibernéticos e ações de espionagem a infraestruturas críticas foram detetados pelo Centro de Alerta e Resposta os Incidentes de Cibersegurança (CARIC), numa base média diária, em 2024, revelou esta semana a Polícia Judiciária (PJ). Este número representa um aumento anual de 8,6, por cento, com 291 mensagens de alerta de operadores das infraestruturas críticas e 38 comunicações de incidentes recebidas pelas autoridades.
Segundo o diretor da PJ, Sit Chong Meng, este aumento deve-se principalmente ao grande volume ataques de rejeição de serviço (DDoS), destinados a sobrecarregar um serviço online e torná-lo inutilizável aos utilizadores e que aproveitam as vulnerabilidades dos sistemas dos operadores de infraestruturas críticas locais.
“Para lidar com este modus operandi, usado pelos hackers, o CARIC, operadores de infraestruturas críticas, e de telecomunicações, elaboraram em conjunto um projeto de garantia técnica para reduzir o seu impacto”, explicou Sit. Com este objetivo foram realizadas quatro investigações de risco de grande dimensão para todas as infraestruturas críticas.
Estes criminosos têm usado, de forma abusiva, mensagens e websites de ‘phishing’ para furtar os dados dos cartões de crédito […] o que tem dificultado a prevenção
Sit Chong Meng, diretor da Polícia Judiciária
Em setembro do ano passado, Guangdong, Hong Kong e Macau assinaram também o memorando de promoção de intercâmbio e cooperação no âmbito de cibersegurança. O elevado volume de burlas em telecomunicações e cibernéticas continua também a ser uma preocupação, com 354 processos de burla telefónica e 906 casos de burla online registados em 2024. A PJ alerta para grupos criminosos que estão a utilizar tecnologias cada vez mais avançadas em burlas, incluindo Inteligência Artificial, e a atualizar constantemente as suas técnicas.
“Estes criminosos têm usado, de forma abusiva, mensagens e websites de ‘phishing’ para furtar os dados dos cartões de crédito […] o que tem dificultado a prevenção,” avisa a PJ. Este crime envolve fraudes para se obterem ilegalmente informações como número do bilhete de identidade, senhas bancárias, número de cartão de crédito, entre outras, por meio de e-mail com conteúdo duvidoso. No ano passado registaram-se 689 casos relacionados com ‘phishing’, que causaram prejuízos superiores a 14 milhões de patacas às empresas e à população.
“Ao longo do ano passado, a PJ, em conjunto com o sector bancário, conseguiu interromper o pagamento em 597 casos, num montante envolvido de cerca de 110 milhões de patacas”. Ao longo do ano passado, a PJ comunicou, por sua iniciativa, ao sector bancário, 680 contas bancárias suspeitas de serem usadas para burlas.
Embora os fatores relativos ao crime transfronteiriço “tragam muitas dificuldades no combate à burla”, a PJ indica ter detido 236 membros de grupos ativos em 2024, mais 50 por cento que no ano anterior. As autoridades chamam ainda à atenção para burlas de procura de emprego no estrangeiro. Recentemente, vários casos mediáticos envolveram residentes do Continente e de Hong Kong sequestrados no Myanmar, após serem aliciados com falsas propostas de emprego.