Em julho, cientistas de plantas no Congresso Botânico Internacional em Madrid alteraram um nome científico compartilhado por cerca de 200 espécies de plantas diferentes. Ao mudarem “caffra” para “affra”, eles afirmaram que estavam votando para corrigir um erro de grafia. Mas quase todos que votaram sabiam que “caffra” não era um erro de grafia.
Por séculos, a palavra “caffra” foi usada nos nomes científicos de muitas plantas para denotar que cresciam na África. O termo, porém, também é uma versão latinizada de “Kaffir”, uma palavra que, no sul do continente, é agora considerada um insulto racial extremamente ofensivo contra os africanos negros. Botânicos da região se opuseram ao uso do termo para se referir a plantas africanas. Na África do Sul, o uso da palavra pode resultar em multa ou até mesmo prisão.
“Devemos a nós mesmos fazer as pazes reconhecendo os erros que nossas gerações anteriores cometeram”, disse Nigel Barker, botânico da Universidade de Pretória que foi criado na África do Sul durante o apartheid. Ele observou que os sul-africanos abandonaram muitos nomes oficiais ligados àquela era.
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