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Oposição critica “doutrina dos dois países” do novo líder de Taiwan

O principal partido da oposição criticou hoje o discurso de tomada de posse do novo líder de Taiwan, acusando-o de danificar ainda mais a relação com Pequim, através da "doutrina dos dois países".

William Lai Ching-te afirmou no seu discurso inaugural que a República da China (nome oficial de Taiwan) e a República Popular da China “não estão subordinadas uma à outra” e que a soberania da ilha cabe aos seus 23 milhões de habitantes.

“Há quem chame a esta terra República da China, há quem chame Taiwan e há quem chame Formosa. Mas, qualquer que seja o nome usado para referir a nossa nação, nós brilharemos independentemente”, assegurou no seu discurso.

Em resposta, o presidente do Kuomintang (KMT), Eric Chu, disse em conferência de imprensa que Lai colocou a “ideologia e os interesses do Partido Democrático Progressista acima do interesse nacional”.

Chu manifestou preocupação com a formalização da “teoria dos dois Estados”.

O ex-líder taiwanês Ma Ying-jeou (2008-2016), protagonista da maior aproximação entre Taipé e Pequim desde o fim da guerra civil chinesa em 1949, afirmou que o discurso de Lai “não só não respondeu positivamente ao conceito de ‘nação chinesa’, como também posicionou as relações entre o Estreito com base na teoria de dois Estados”.

“Se o governo de Lai acredita que os dois lados do Estreito de Taiwan são dois países, deve assumir corajosamente a responsabilidade política e promover imediatamente uma emenda constitucional para cumprir esta proposta”, afirmou o antigo presidente, também do KMT, na rede social Facebook, acrescentando que só mantendo a atual Constituição da República da China “se pode evitar uma guerra” entre a China comunista e Taiwan.

“Gostaria de apelar ao povo de Taiwan para que peça ao Presidente Lai que ponha de lado a sua ideologia a favor do bem-estar do povo de Taiwan e que reveja a nova doutrina dos dois Estados, que proclamou abertamente ontem, durante a sua tomada de posse, para não se enganar a si próprio e ao seu país”, afirmou Ma.

O território de 23 milhões de habitantes opera como uma entidade política soberana, com diplomacia e exército próprios, apesar de oficialmente não ser independente. Pequim considera Taiwan parte do seu território e já avisou que uma proclamação formal de independência seria vista como uma declaração de guerra.

O KMT defende uma cooperação económica mais estreita e um diálogo renovado com Pequim. As visitas de membros e personalidades do partido à China continental foram constantes nos últimos meses, destacando-se a recente deslocação de Ma às províncias de Guangdong (sudeste) e Shaanxi (centro) e à cidade de Pequim, que culminou com um encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping.

Durante o seu encontro com Ma, Xi afirmou que “não há forças que possam separar Taiwan da China” e que as “diferenças” nos sistemas políticos de ambos “não podem mudar o facto de que os dois lados são um só país”.

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