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Aliados de Bolsonaro atribuem confissão de ex-ajudante a desespero

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) veem um gesto de "desespero" a mudança de estratégia da defesa de seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid.

Cid, tenente-coronel do Exército, vai confessar ter negociado as joias nos Estados Unidos a mando do ex-mandatário Bolsonaro, afirmou seu advogado, Cézar Bittencourt.

A estratégia de admitir sua atuação e indicar Bolsonaro como mandante da negociação foi revelada pela revista Veja e confirmada pelo defensor à Folha.

Interlocutores do ex-presidente lembram que Cid está preso desde maio no Batalhão do Exército, em Brasília, e está preocupado com a família. Está detido, aliás, por outra investigação, sob suspeita de adulterar o seu cartão de vacinação.

A cela possui 20 metros quadrados. O militar só costuma sair do local duas horas por dia, para um período de banho de sol em que tem disponível grande espaço para realizar corridas e musculação.

O temor é o de que Cid fale o que for preciso para deixar a cadeia, o que avaliam que pode acontecer.

Interlocutores de Bolsonaro insistem, contudo, que pode até haver trapalhada ou imoralidade, mas que não houve ilegalidade na atuação do ex-presidente. E que ele não determinou que Cid fizesse o que fez com as joias.

O tenente-coronel do Exército e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, em depoimento na CPI do 8 de Janeiro, no Senado, em 11 de julho de 2023. – Pedro Ladeira/Folhapress

Mesmo antes da operação deflagrada na semana passada, o clima já era de tensão na família do ex-ajudante de ordens. Diante da operação da sexta (11) em que a Polícia Federal mirou Cid e seu pai, o general Mauro Cesar Lourena Cid, eles ficaram ainda mais isolados, inclusive entre aliados no Exército.

Como mostrou a coluna de Mônica Bergamo, o general Mauro Cid já havia se afastado de Jair Bolsonaro. Ele vinha demonstrando chateação com o ex-presidente e sentia que ele e seu filho estavam abandonados.

A PF descobriu que os dois atuavam em negociações para vender presentes recebidos por Bolsonaro em viagens oficiais. Os bens são considerados de Estado, e Bolsonaro não poderia apoderar-se dos itens valiosos, segundo entendimento do TCU (Tribunal de Contas da União).

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