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Grupo de Reflexão para a Construção da Paz apela a Guterres para prevenir desastre nuclear

Os signatários pedem para que seja seguida a recomendação do Conselho InterAction, que pediu o reforço da presença de observadores a ONU/AIEA em torno da central nuclear de Zaporijia para evitar qualquer interferência na gestão e operação da mesma.

Representantes do Grupo de Reflexão para a Construção da Paz (PRG), incluindo o português Victor Ângelo como primeiro signatário, escreveu uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a pedir que atue urgentemente de forma a prevenir um desastre nuclear na central de Zaporijia.

O PRG salienta que a preocupação “tem crescido enormemente e de forma iminente nas últimas semanas” depois da destruição da barragem de Kakhovka, que “compromete a capacidade do sistema de resfriamento” da central; “devido aos relatos de riscos explosivos substanciais em torno de vários dos seis reatores”; “e, nos últimos dias, à ordem de evacuação obrigatória por parte da Rússia de todo o pessoal militar e técnico” da central.

Os signatários pedem para que seja seguida com rigor a recomendação do Conselho InterAction, que aconselhou a 17 de maio o reforço da presença de observadores a ONU/AIEA em torno da central nuclear de Zaporijia para evitar qualquer interferência na gestão e operação da mesma.

“Apelamos ao Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, para, em colaboração com o Diretor-Geral da AIEA, abordar rapidamente este assunto com o Conselho de Segurança da ONU e instar os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança a reconhecer a urgência de um destacamento preventivo reforçado de observadores da ONU/AIEA e da implementção de uma missão de monitorização e verificação da ONU ou da OSCE para as redondezas da central”, pode ler-se.

O Grupo de Reflexão para a Construção da Paz recorda que a Ucrânia sofreu danos significativos devido à radiação libertada na sequência do desastre de Chernobyl em 1986 e abandonou voluntariamente as armas nucleares soviéticas menos de uma década depois, na procura da paz e de garantias de soberania e integridade territorial de acordo com o Memorando de Budapeste de 1994. Porém, o PRG recorda que essas garantias foram violadas pela invasão russa e pela guerra que está a acontecer na Ucrânia e em torno do maior complexo nuclear da Europa.

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