Vladimir Putin e Alexander Lukashenko fizeram cada qual uso de discursos a militares para trazerem um pouco mais de luz à intentona do até então velho aliado do líder do Kremlin, Yevgeny Prigozhin. Enquanto o autocrata russo admitiu o financiamento do grupo Wagner e elogiou os soldados por terem “travado uma guerra civil”, o autocrata bielorrusso chamou a si os louros pelo fim da rebelião, enquanto não transmitiu uma imagem simpática de Putin. Com a ida confirmada do chefe dos mercenários para a Bielorrússia, os países vizinhos mostram-se preocupados.
O presidente russo sentiu a necessidade de voltar a comunicar, um dia depois de ter denunciado uma “traição” e ao mesmo tempo a ter perdoado – algo inaudito. Num raro discurso ao ar livre, Putin agradeceu aos homens reunidos na praça da catedral do Kremlin pelo seu papel – “de facto, vocês travaram a guerra civil” – e prestou homenagem aos 13 homens da força aérea que morreram em resultado dos seis helicópteros e de um avião terem sido abatidos durante a “marcha pela justiça” do grupo Wagner.
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Além disso, o líder russo aproveitou para fazer passar a mensagem de que Yevgeny Prigozhin – sempre sem dizer o seu nome – não cativou o apoio do exército nem da população. “As pessoas que foram atraídas para a rebelião viram que o exército e o povo não estavam com elas”, disse.
Mais tarde, numa reunião com militares, o presidente voltou a atacar a sua criação – Prigozhin – ao dizer que as suas finanças vão ser investigadas. “Quero que toda a gente saiba isto: O apoio ao grupo Wagner foi totalmente fornecido pelo Estado. Espero que, no decurso deste trabalho, ninguém tenha roubado nada – ou, digamos, não tenha roubado muito – mas vamos certamente chegar ao fundo da questão”, assegurou. Antes, disse que o líder da rebelião recebeu o equivalente a 922 milhões de euros em contratos de catering militar no ano passado, enquanto o governo russo gastou outro tanto para financiar os mercenários.
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