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Governo deve abordar de forma proativa as consequências económicas da epidemia

*Che Sai Wang

Macau sofre com a pandemia há três anos. Apesar de já terem passado mais de quatro meses desde que o Governo da RAEM retirou as restrições, as “sequelas”, como a inflação dos preços, o desemprego e subemprego, as dificuldades de subsistência dos grupos desfavorecidos e a sobrevivência das pequenas e médias empresas ainda não foram devidamente atenuadas e resolvidas.

Durante a pandemia, os desempregados não conseguiram encontrar empregos a tempo inteiro e tiveram de recorrer a trabalhos a tempo parcial para sobreviver, auferindo um rendimento escasso.

A taxa de subemprego em Macau atingiu 6,9 por cento em 2022, um aumento de 2,8 por cento face a 2021. Os grupos desfavorecidos, como os idosos, as famílias monoparentais, as crianças com necessidades especiais, os cuidadores e as pessoas com defciência, têm de recorrer a vários subsídios para fazer face às despesas, e o montante dos subsídios não consegue acompanhar a subida dos preços, tornando a sua vida ainda mais difícil.

Na sequência da situação pandémica, a inflação e os preços subiram em fecha. Tenho recebido cada vez mais queixas e reflexões dos cidadãos de que o custo de vida em Macau está a tornar-se cada vez mais caro e algumas das despesas são ainda mais elevadas do que as de Hong Kong. Em desespero de causa, cada vez mais pessoas se deslocam a Zhuhai para comprar bens essenciais.

Em março de 2023, o Índice de Preços no Consumidor de Macau (IPC) era de 104,28, mas é evidente que este valor não reflete verdadeiramente a realidade da vida das pessoas. O IPC reflete a evolução dos preços de retalho dos bens e serviços de consumo e pode ser utilizado para analisar o impacto nas despesas reais dos residentes. O seu método de cálculo inclui alguns itens que não são de subsistência, como os bilhetes de avião, que diminuíram acentuadamente devido à pandemia, compensando assim parte do aumento. O IPC reflete a inflação e as estatísticas requerem uma compreensão realista dos vários índices de vida dos residentes locais. Por conseguinte, os dados estatísticos não devem ser interpretados de forma unilateral, nem a recolha e compilação de dados devem ignorar a situação real em nome da estabilidade dos dados.

É igualmente importante referir que, nos próximos meses de junho e julho, mais de 3.000 estudantes locais terminam os seus estudos e vão procurar emprego. O Governo tem de intensifcar os seus esforços para dar prioridade ao emprego local e resolver o problema do emprego de forma rápida e efcaz.

Tendo em conta as várias condições económicas, considero que o Governo da RAEM deve introduzir medidas de impulso à economia o mais rapidamente possível. Deve reduzir a elevada taxa de desemprego e continuar a apoiar as pequenas e médias empresas, dando prioridade aos residentes locais, especialmente aos estudantes que estão prestes a terminar a licenciatura.

Em segundo lugar, o Governo deve estabilizar os preços através de um macro-ajustamento, a fim de evitar que os residentes sejam obrigados a deslocar-se a outras cidades para comprar bens essenciais.

Por último, embora existam medidas de assistência financeira, estas não são capazes de apoiar totalmente os idosos, as famílias monoparentais, as crianças com necessidades especiais e as pessoas com deficiência, que vivem em condições difíceis e têm poucos rendimentos. Por conseguinte, o Governo deve também adotar outras medidas para ajudar a aliviar a pressão do custo de vida.

*Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau

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