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FMI revê tudo em alta em Portugal. Mais inflação, crescimento e desemprego em 2023

Dinheiro Vivo

Em 2023, a previsão de inflação em Portugal foi revista em alta de 4,7% (outubro) para 5,7% agora, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI), no novo panorama económico mundial (World Economic Outlook), divulgado esta terça-feira, estudo que abrange quase duas centenas de países e territórios do globo.

Segundo esta mesma edição da organização sediada em Washington, a economia portuguesa deve crescer um pouco mais do que se pensava em outubro, cerca de 1% em termos reais (era 0,7% no outlook de outubro), mas o desemprego será ligeiramente mais elevado (6,6% da população ativa em vez de 6,5% há seis meses).

O cenário do FMI é pior no crescimento do que o valor mais recente do Banco de Portugal (aponta para um avanço de 1,8% da economia portuguesa este ano).

Na inflação está mais ou menos em linha com a projeção da entidade (BdP) governada por Mário Centeno (5,5% em 2023, valor avançado no boletim económico no final do mês passado).

Segundo o exercício do Fundo dirigido por Kristalina Georgieva, Portugal deve assim crescer um pouco mais rápido (em termos reais, descontando a inflação) do que a zona euro, que só deve avançar 0,8%, este ano.

A inflação portuguesa persiste em níveis bastante elevados, quatro décimas acima do prognóstico para a zona euro (5,3%).

Mas incidência do desemprego pode vir a ser mais baixa em Portugal do que a média da moeda única europeia (6,8% na zona euro, diz o FMI neste outlook de abril).

Previsões piores do que as de Medina

Comparando com as previsões do governo português (Ministério das Finanças, no OE2023 – Orçamento do Estado para 2023, feito em outubro), as previsões do FMI são mais desfavoráveis.

A tutela do ministro Fernando Medina baseou o OE deste ano num crescimento real de 1,3%, numa inflação de 4% e conta que a taxa de desemprego até caia de 6% em 2022 para 5,6% em 2023.

Estes três indicadores comparam com os do FMI, os já referidos 1% de crescimento, 5,7% de inflação e 7% de taxa de desemprego, em 2023.

Portugal cresce pouco num panorama em que alguns dos seus principais parceiros económicos se debatem. A Alemanha deve sofrer uma contração do produto interno bruto (PIB) este ano, vacilando menos 0,1%.

França avança apenas 0,7%. Espanha cresce à volta de 1,5%.

Na zona euro, o FMI vê mais uma recessão (anual), com a economia da Lituânia a ceder 0,3%.

A Irlanda resiste, com um crescimento previsto de 5,6% em 2023, diz o Fundo. É o ritmo mais elevado da zona euro, da Europa e de um conjunto de economias ditas emergentes geograficamente próximas da União Europeia.

A economia da Ucrânia, alvo de uma guerra a partir da Rússia, colapsou mais de 30% em 2022 e este ano deve perder mais 3% do seu PIB.

A Rússia terá registado uma recessão anual de 2,1% no ano passado, mas este ano pode recuperar 0,7%, diz o FMI.

A situação de Portugal, bem como da maioria das economias europeias, faz-se num ambiente de “incerteza elevada”, com taxas de juro a subir ainda mais, limitando o crédito para investimento, seja de empresas ou de famílias (casas e consumo, por exemplo).

O FMI considera que o caminho de 2023 vai ser “cada vez mais acidentado”, “pedregoso”.

As previsões para o défice e a dívida pública (de Portugal e dos outros) serão dissecadas na quarta-feira no Monitor Orçamental, cuja apresentação estará a cargo do antigo ministro das Finanças português, Vítor Gaspar, hoje diretor do departamento do FMI para os assuntos de finanças públicas.

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