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Moody’s receia que crise do SVB torne financiamento mais caro para bancos europeus

Dinheiro Vivo

Agência de notação de crédito Moody’s sublinha que existe uma diferença crítica entre os sistemas bancários europeus e o norte-americano, o que limitará o impacto no Velho Continente.

A Moody’s acredita que a crise do Silicon Valley Bank e as recentes subidas dos juros vão aumentar o stress no sistema bancário dos EUA, enfraquecendo a confiança dos investidores e tornando provavelmente o financiamento mais caro para os bancos europeus.

Num relatório publicado esta terça-feira, a agência de notação de crédito Moody’s explica que, quando as taxas de juro sobem mais rapidamente do que o esperado, os ativos de rendimento fixo detidos pelos bancos perdem valor e os passivos começam a valorizar-se a um ritmo mais rápido.

Este desajustamento afeta quase todos os bancos.

No entanto, observa, existe uma diferença crítica entre os sistemas bancários europeus e o norte-americano, o que limitará o impacto no Velho Continente, uma vez que os bancos europeus têm títulos de menor dimensão nos seus balanços e uma base de depósitos mais estável, que tem crescido menos rapidamente.

A Moody’s explica que embora os títulos de dívida dos bancos europeus tenham crescido 10% em 12 meses entre meados de 2009 e Junho de 2020, foram os depósitos em numerário nos bancos centrais que dispararam durante a pandemia, em resposta ao programa TLTRO (Targeted Longer-Term Refinancing Operations) do Banco Central Europeu.

“Isto levou a algumas diferenças estruturais entre os bancos da zona euro e dos EUA”, sublinha a agência.

No caso dos bancos europeus, os títulos de dívida representam cerca de 12% dos balanços, em comparação com mais de 30% para os bancos comerciais dos EUA, mas além disso, cerca de 40% das obrigações detidas pelos bancos da zona euro são obrigações do Estado, em comparação com cerca de 80% no caso dos EUA.

Isto significa que os bancos europeus têm menos exposição ao risco do mercado obrigacionista.

Além disso, a Moody’s acredita que os depósitos são provavelmente mais estáveis na Europa e recorda que todos os bancos da UE estão sujeitos a requisitos de rácio de cobertura de liquidez.

Os saldos em numerário depositados no BCE, que ascendem a 16% dos ativos, significam que os bancos europeus “têm menos probabilidades de precisar de recorrer à venda de títulos e de se aperceberem das perdas. E isto, para além das linhas de liquidez fornecidas pelo banco central”.

No entanto, a agência adverte que estas diferenças entre bancos europeus e norte-americanos não tornam os emitentes europeus invulneráveis.

“Quando a confiança é percutida, o contágio pode ser rápido. Os balanços dos bancos são, por definição, alavancados, têm desajustes de maturidade e são frequentemente complexos e opacos, com inter-relações e exposições que por vezes só são conhecidas após o evento”, resume a Moody’s.

A agência também acredita que o BCE terá mais tempo para executar o seu ciclo de aperto das taxas de juro do que a Reserva Federal dos EUA (Fed), e embora cerca de metade do TLTRO já tenha sido reembolsado, isto deixa 1,2 biliões de euros por levantar.

Por conseguinte, os efeitos completos do aperto da política monetária podem ainda estar para vir, acrescenta.

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