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Cada vez mais migrantes chegam ao Reino Unido pelo mar

AFP

O governo britânico apresentou nesta terça-feira (07) um projeto de lei que pretende “acabar com os barcos” de migrantes que cruzam o Canal da Mancha, cujas travessias alcançam números recordes e colocam sob pressão o sistema de asilo.

Número recorde de chegadas

O número de chegadas irregulares na costa inglesa – muitas vezes em botes infláveis superlotados – disparou nos últimos anos. 

Em 2022, mais de 45.700 migrantes realizaram esta perigosa jornada.

Cerca de 299 migrantes cruzaram o Canal da Mancha saindo da costa francesa em 2018. O Ministério do Interior britânico informou que 1.843 migrantes fizeram a travessia em 2019, 8.466 em 2020 e 28.526 em 2021.

A tendência continua desde o início do ano, com mais de 3.000 chegadas na costa inglesa – o dobro do ano passado. Só nesta segunda-feira (06) foram quase 200.

Este aumento acentuado nas chegadas de barcos desde 2018 aconteceu após o fechamento do porto francês de Calais e do túnel sob o Canal da Mancha.

Até então, muitos migrantes chegavam ao Reino Unido escondidos dentro de caminhões que passavam por estas vias.

A agência europeia de vigilância de fronteiras, a Frontex, informou que a União Europeia (UE) teve 330.000 entradas irregulares em 2022, o número mais alto desde 2016.

Este dado leva em consideração que uma pessoa pode entrar mais de uma vez.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), no ano passado houve “187.993 entradas ilegais” na UE.

Afegãos, iranianos e albaneses

Enquanto mais da metade dos migrantes que cruzaram o Canal da Mancha em 2021 vieram do Irã (30%) e do Iraque (22%), os albaneses foram os mais numerosos (28%) em 2022, seguidos pelos afegãos (20%), iranianos ( 13%) e iraquianos (10%).

A chegada em massa de albaneses provocou fortes críticas políticas, já que o país não está em guerra.

O Canal da Mancha é a última etapa de uma longa viagem, que dura meses ou anos para a maioria dos migrantes.

Muitos passam por vários países: primeiro no Oriente Médio ou na África, depois no Mediterrâneo e, finalmente, atravessam a Europa.

Em Londres, a AFP entrevistou em janeiro uma eritreia de 23 anos que pedia asilo. Ela deixou seu país em 2016, caminhou até o Sudão, depois Egito, cruzou o Mediterrâneo e depois viajou pela Itália, Suíça e França.

A jovem atravessou o Canal da Mancha em julho de 2021, mas ainda aguardava uma resposta para seu pedido de asilo.

O Ministério do Interior informou que 87% dos migrantes que cruzaram o Canal da Mancha em 2022 eram homens. Entre eles, 12% tinham menos de 18 anos.

Maioria de pedidos de asilo aceitas

Cerca de 74.751 pedidos de asilo foram feitos em 2022 no Reino Unido.

No entanto, o sistema foi sobrecarregado pelo fluxo recente: um recorde de 160.000 solicitações de asilo aguardavam uma decisão no final de dezembro.

O governo substituiu a entrevista regular por um questionário simples, a fim de agilizar o processo entre os cidadãos de países de alta aprovação, como Afeganistão, Eritreia, Líbia e Síria.

As respostas positiva chegaram a 76% das candidaturas processadas no ano passado, ou seja, 14.275. É possível que este número aumente após a apresentação de recursos.

Em comparação, cerca de 924.000 pedidos de asilo foram registrados na UE em 2022, um aumento de 50% em relação ao ano anterior.

Mais de 310.000 pessoas receberam asilo na UE em 2022, segundo o Eurostat.

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