O ridículo - Plataforma Media

O ridículo

Portugal está nos oitavos de final do Mundial e ninguém acredita que não chegue lá em primeiro lugar do grupo.

Sim, conheço essa conversa do “tudo é possível” mas as nossas hipóteses de atingir o lugar cimeiro são avassaladoras, essencialmente porque o próximo adversário é uma equipa… treinada pelo Paulo Bento. Perdoem-me o cantar de galo antes do tempo, só que “está no paaaapo, carago!” O Gana superou-se nesta competição mas a Coreia tinha obrigação de fazer melhor, e para corolário o Paulo foi expulso no fim do jogo, conseguindo o feito de ser o primeiro técnico a levar um cartão vermelho em Mundiais. Estão a ver quão polidos são povos como os do Japão e da Coreia? Pois o Paulo, qual português do século XVI, levou para lá o ferro e o fogo, a partir de agora espera-se o desmantelamento da obsequiosa sociedade coreana. Bem sei que o ranking da FIFA não significa muito, por exemplo a Bélgica em 2º lugar c’est ridicule, ainda assim a Coreia está em 28º e o Gana em 61º. Há treinadores que me surpreendem com frequência, até hoje o Paulo Bento só me surpreendeu duas vezes: quando o contrataram em 2016 para treinar o Cruzeiro do Brasil onde esteve intranquilamente dois meses até ser despedido, e para ser seleccionador da Coreia “- Não, a sério: o Paulo Bento? Ahahah, como, porquê?” Porque ou é agenciado pelo Mendes ou o homem exerce um fascínio qualquer que francamente me escapa; já em tempos um presidente do meu clube garantia “Paulo Bento, forever”. Enfim, o ridículo… No início do Mundial ainda sonhei que ele e o Queiroz chegavam às meias-finais: “- vede ó gentes” os portugueses chamando a atenção de um mundo boquiaberto com a qualidade dos nossos técnicos. Infelizmente o Queiroz anda chamuscado a tentar apagar fogos sem água, só lhe dão jerricanes com gasolina, o Paulo Bento continua intranquilo e a deixar-nos tranquilos: sem surpreender vai-se embora do Mundial quase de certeza apenas com um pontinho num bolso e no outro uma marca digna do livro de Recordes do Guiness. Parece que já pediu desculpa “ao povo coreano” e até nisso é meio bimbo, porque a nós nunca pediu e merecíamo-la muito mais, foram anos e anos a levar com ele no Sporting, na Selecção, mas sobretudo nunca pediu desculpa por aquele penteado. Janeiro de 2023: “- Então Son, agora que Paulo Bento saiu, que tal foi trabalhar com ele na Selecção?” “-Eh pá, começo a pensar que passei ao lado de uma grande carreira; entre a Selecção e o Tottenham só dei tiros no pé…” Pois quanto a técnicos, nós vamos ter de pôr as fichas todas no Sr. Engenheiro; ai…

Continuando a raspar: pessoal, que país é aquele, o Uruguai? Pensando assim à imperialista russo: não deveria ter sido colónia portuguesa e hoje parte do Brasil? Faz lembrar a Bélgica (o número 2, yeah), um país que inventado para separar a França da Holanda, perdão, Países Baixos, c’est ridicule. O Uruguai tinha uma língua tão bonita e estragaram tudo com aquelas espanholices. Na equipa há um jogador que se chama Olivera; para quê tirar o “i” da oliveira, e para quê pô-lo na serra? Vejam o ridículo de um azeite que se chamasse “Olivera da Sierra”, parece um trava-línguas… Agora fora de brincadeiras, o Uruguai não é uma selecção qualquer, lembro-me muuuito bem que nos eliminaram no último Mundial; sentia-me no céu por poder assistir ao jogo em directo durante uma longa viagem de avião, um mimo da Emirates que afinal se mostrou um presente envenenado: fomos encavados pelo Cavani e eu não pude ignorar, em todos os ecrãs das 400 cadeiras do avião passava aquela cara de caveira com cabelos a festejar. O Uruguai ainda é uma grande selecção basta-me dar dois exemplos, Coates e Ugarte que rezei para não estarem em nenhum dos dois golos que o presidente Marcelo durante a tarde previu que sofreria. Tem ainda o Bentancur, obviamente descendente da família açoriana Bettencourt cujo nome acabou truncado por um escrivão de conservatória espanhol, e é mais um falhado do Tottenham, somehow vão lá todos parar; neste jogo deveria ter ido parar à rua, pouparam-lhe um segundo amarelo, não se sabe porquê. Há também o Darwin, um espécime que não parece ter evoluído no ambiente para onde se mudou, o mesmo Cavani que nunca deu à Luz e neste jogo aliás ficou às escuras, e o Suarez que só por uma vez tentou morder os calcanhares de Portugal. Por oposição a este inofensivo “dentinhos” o nosso “dentolas” Bruno Fernandes, qual hiena esfaimada desfez o Uruguai. Não é só o professor Marcelo que tem palpites acertados, eu também; ainda há dias escrevi aqui que o Ronaldo tem tanta vontade de ganhar o caneco que até será capaz de marcar golos com o olhar. Pois contra o Uruguai marcou um assim. Bem, tecnicamente não foi com o olhar e sim com a caspa, o que indicia a ineficácia do shampoo Linic. Bruno Fernandes, a hiena, como de costume tem todo o trabalho de massacrar as presas, mordê-las, persegui-las, e quando faz um centro para golo, Ronaldo, o leão, acerta na bola com a aragem dos folículos capilares da juba e fica com a fama do golo. Por acaso logo na primeira repetição vimos o ridículo “nem lhe tocou”, todavia com 300 câmaras em 10K mais 50 drones sobre o estádio, durante algum tempo ele julgou que não se ia notar muito… 

O que não se notou mesmo foi a presença do Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva que justificou a ida ao Qatar paga com o meu dinheiro “para apoiar os adeptos portugueses”; ora bem, é fazer as contas: misturados entre dezenas de pessoas equipadas com as cores da Selecção, antes do jogo uma repórter da TVI encontrou 5 portugueses, 3 falavam português, 1 era filho de emigrantes nascido no Canadá; dá o rácio de 1 presidente da assembleia da república por cada 5 portugueses (se fosse 1 médico ou 1 professor é que dava jeito). Isto é que é apoio, caraças, até permite ao apoiador fixar os nomes de quem apoia. Depois, como recordou aos microfones da TSF, é deputado eleito por “este círculo” (qual este, o do Qatar?) o “fora da Europa”. Ahhhh ok, é o “seu território” que como legítimo representante está a visitar; então fundamenta-se, e ainda bem que lembrou porque acho que ninguém sabia. Já o que se nota muito é o nosso equipamento; enquanto o da Croácia parece uma toalha de mesa de um restaurante italiano, o nosso parece uma manta feita com as cortinas da sede da carbonária. Do mal o menos, a Nike acertou nos tons das cores, não há muitos anos a Selecção Nacional facilmente se confundia com a Selecção Rastafari da Etiópia ou da Jamaica.  

*Embaixador do PLATAFORMA

Related posts
Opinião

Corrente colectiva

Opinião

Um mundo infestado de demónios

Opinião

Ao género das sátiras de Juvenal

Opinião

Ganhou e perdeu quem mais mereceu

Assine nossa Newsletter