
A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) apresentou recentemente o projeto para a Linha Leste do Metro Ligeiro, que terá seis estações subterrâneas e cujo concurso está previsto até final deste ano, com a sua conclusão prevista para 2028.
Sendo a linha um sistema de trânsito público sustentável e de baixas emissões, as autoridades devem acelerar a sua implementação e planificar de outras linhas, para criar uma rede de transportes conveniente que integre também autocarros, táxis e vias pedonais.
A Linha da Taipa, já em funcionamento, implicou uma grande quantia do orçamento público para construção e preparação, contudo, tem sido alvo de críticas por parte dos residentes. Desde que foi inaugurada, em 2019, o número diário de passageiros tem sido inferior ao esperado, não servindo o seu propósito inicial. A planificação das estações desta linha torna difícil a incorporação de elementos comerciais na mesma.
As autoridades devem aprender com esta experiência durante a construção da Linha Leste e outros projetos futuros, para oferecer maiores espaços comerciais e incluir diferentes elementos que ajudem a aumentar a receita do Metro Ligeiro e a reduzir a pressão sobre a sua operação.
De acordo com a informação partilhada pela DSOP, a população da zona nordeste ronda os 144 mil, tendo cerca de 23 mil empregados da indústria do jogo e hotelaria que precisam de atravessar a zona inteira para chegar ao Cotai. Cerca de 40 por cento dos agregados familiares desta zona não possuem veículos motorizados, além dos 100 mil habitantes que se prevê para a Zona A dos Novos Aterros Urbanos.
Analisando os dados atuais, estima-se que a construção da Linha Leste venha dar resposta à procura por transporte entre a zona nordeste, Zona A e Cotai durante as horas de ponta, possibilitando ainda outras rotas de autocarro e aliviando o congestionamento do trânsito.
Não devemos ignorar, contudo, que mesmo que o projeto seja implementado, esta linha só estará completa em 2028. Nos últimos anos, com o impacto da pandemia e os ajustes na indústria do jogo, o número de residentes empregados em casinos e restantes indústrias de entretenimento interligadas têm sofrido alterações, e é ainda incerto se teremos a mesma procura depois da linha ser finalizada.
Em termos de planificação urbana e desenvolvimento a longo prazo, este sistema abrangente deve ser constituído por vários métodos de transporte e vias pedonais, com ligações entre os mesmos, para que os residentes possam planear as suas rotas.
O Metro Ligeiro é uma parte integral da infraestrutura de transportes de Macau, integrando os atuais modos de transporte públicos e criando uma melhor rede de mobilidade.
Por isso, é sugerido que a DSOP acelere a implementação de várias linhas e conduzam estudos sobre os vários problemas da rede, incluindo a ligação entre o Metro Ligeiro e o atual sistema de transportes.
Ao oferecer um serviço conveniente para os residentes, irá aumentar a sua taxa de uso. Só assim a Linha Leste poderá aliviar os problemas de trânsito na cidade. Com a construção de uma linha como esta, que implica uma quantia de dinheiro público enorme, é importante garantir que assume o seu devido valor, sem destabilizar a restante rede de transportes.
*Deputado da Assembleia Legislativa de Macau/Aliança de Povo de Instituição de Macau