Início » PM timorense quer zonas económicas livres na fronteira com a Indonésia

PM timorense quer zonas económicas livres na fronteira com a Indonésia

Lusa

O primeiro-ministro timorense defendeu hoje a criação de zonas económicas livres na fronteira com a Indonésia que possam incluir parques industriais transfronteiriços, com ganhos para os dois países

“O nosso país necessita de tirar proveito da sua proximidade física com a Indonésia, para desenvolver parcerias económicas, aprofundar o relacionamento bilateral para desenvolver a sua capacidade produtiva, desenvolver nichos de mercado e conseguir aproximar-se mais dos mercados regionais”, disse Taur Matan Ruak, no Parlamento Nacional timorense.

“As indústrias e os serviços transfronteiriços poderão capitalizar essa proximidade e tornar Timor-Leste mais atrativo para o investimento estrangeiro, para a promoção do comércio e a participação nas cadeias de valor regionais, criando interessantes vantagens competitivas”, enfatizou.

No arranque do debate na generalidade da proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2023, o primeiro-ministro referiu-se assim a um conjunto de propostas discutidas pelos chefes de Estado dos dois países, durante a visita do Presidente timorense José Ramos-Horta a Jacarta.

O chefe do Governo considerou que a criação de zonas económicas livres transfronteiriças, “edificadas em torno de uma estratégia concertada e integrada entre Timor-Leste e a Indonésia”, poderá ter um papel importante na criação de novos polos de desenvolvimento económico.

Taur Matan Ruak sublinhou que se trata de incorporar “cadeias globais de distribuição e alavancar oportunidades comerciais mútuas, sociais, tecnológicas, de intercâmbio de conhecimento e outras, com impacto positivo para ambos os países”.

Timor-Leste e a Indonésia, disse, estão disponíveis para fortalecer os laços económicos bilaterais, num “ambicioso programa” que leva a uma “economia robusta transfronteiriça” e à criação de cooperativas de grupos empresariais para uma futura Zona de Comércio Livre.

“Gostaríamos de ver assinado um acordo de zona económica livre com a vizinha Indonésia ainda este ano”, disse o primeiro-ministro.

Antecipando esse processo, foram já assinados, recordou, vários memorandos de entendimento em setores como a cooperação agrícola, o movimento transfronteiriço de autocarros comerciais e o estabelecimento de um sistema de transportes integrado, e ainda no domínio da meteorologia, da climatologia e geofísica e das comunicações e informática.

Foram já concluídos estudos de viabilidade, com o apoio de empresários indonésios, para a construção de parques industriais, tendo o Governo timorense aprovado em junho o regime jurídico dos parques industriais.

Paralelamente, disse Taur Matan Ruak, o Governo quer reforçar em 2023 o programa Cadeia de Valor “para estimular o setor produtivo e a produção local, procurando encorajar os empresários timorenses, nomeadamente os da área turística, do comércio, do setor agrícola, pecuária e pescas”.

O programa visa “garantir às empresas o acesso ao crédito a taxas de juro reduzidas para financiar uma ou mais etapas da cadeia de valor, independentemente da localização dos negócios no país”.

Taur Matan Ruak referiu-se ainda a outros programas de estímulo económico, nomeadamente a “reabilitação, expansão, diversificação e intensificação da produção das plantações de café”.

O Governo, disse ainda, vai dar especial atenção ao emprego, um dos maiores desafios do país, “para conseguir criar um número significativo de novos postos de trabalho e conseguir que o mercado absorva o maior número possível de pessoas em idade produtiva e presentemente fora do mercado de trabalho, especialmente os mais jovens”.

Por isso, disse o primeiro-ministro, o executivo quer rever, aprovar e implementar uma nova Estratégia Nacional de Emprego 2017-2030, com o objetivo de “aumentar a procura do mercado de trabalho e de melhorar a oferta do mercado de trabalho e criar emprego para os desempregados, através de incentivos ao empreendedorismo”.

A estratégia visa ainda “elevar a qualificação dos trabalhadores, especialmente a dos mais jovens, com o objetivo de aumentar a sua competitividade no mercado de trabalho internacional e desenvolver mecanismos para combater o trabalho precário, nomeadamente através da monitorização das entidades empregadoras”, explicou.

O Governo quer ainda “garantir a implementação da legislação laboral e dos mecanismos de proteção social e também incentivar movimentos cooperativos, associativos e mutualistas, para garantir a participação comunitária e lutar contra as desigualdades sociais e económicas”, acrescentou Taur Matan Ruak.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website