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PR iraniano acusa Estados Unidos de tentarem desestabilizar país

Lusa

O Presidente do Irão, Ebrahim Raisi, acusou ontem os Estados Unidos de tentarem desestabilizar o país, que há quase um mês encara manifestações desencadeadas pela morte de Mahsa Amini

“Washington e os seus aliados estão a recorrer a uma política de desestabilização condenada ao fracasso”, declarou o ultraconservador Raisi.

A morte em 16 de setembro da jovem de 22 anos provocou a maior onda protestos e violência no Irão desde as manifestações de 2019 contra o aumento do preço dos combustíveis.

Amini havia sido detida três dias antes pela “polícia da moralidade” de Teerão por ter, segundo as autoridades, violado o rígido código de vestuário para as mulheres na República Islâmica, incluindo o uso do véu.

Desde então, jovens mulheres, estudantes e alunas estão na vanguarda dos protestos, nos quais cantam ‘slogans’ antigovernamentais, incendeiam véus e entram em confronto com as forças de segurança.

O movimento de protesto originou comícios de solidariedade no estrangeiro, bem com sanções internacionais contra autoridades instituições iranianas acusadas de envolvimento na repressão.

O Canadá anunciou uma nova ronda de sanções em resposta às “violações sistemáticas de direitos humanos” no Irão.

Por seu lado, os Estados Unidos disseram que estavam concentrados “em responsabilizar o regime pelo que está a fazer com manifestantes inocentes”.

De acordo com organizações não governamentais (ONG), mais de 100 pessoas foram mortas no Irão desde 16 de setembro.

A cidade de Zehedan (sudeste) também foi afetada pela violência em 30 de setembro durante protestos contra a alegada violação sexual de uma jovem por um polícia, que fez pelo menos 94 mortos, segundo ONG.

Para lidar com a situação, as autoridades iranianas bloquearam o acesso às redes sociais, em especial ao Instagram e ao WhatsApp.

Os juízes foram instruídos a não proferir sentenças “fracas” contra os “principais elementos dos distúrbios”, segundo o ‘site’ de informação judicial.

No Irão, o diário reformista Etemad pediu às autoridades que ponham fim às prisões realizadas “às vezes sobre falsos pretextos” e denunciou detenções de jornalistas.

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