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Vencer a China e conter a Rússia: Biden revela sua estratégia internacional

Aurélia End

Vencer a China a longo prazo e conter a Rússia imediatamente, para continuar sendo a maior potência do mundo: a Casa Branca reafirmou esta quarta-feira as prioridades estratégicas do presidente Joe Biden

“A era pós-Guerra Fria acabou e a competição começou entre as principais potências para determinar o que a sucederá”, afirmou o assessor de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, em discurso na Universidade de Georgetown, ao apresentar a “Estratégia de Segurança Nacional” dos Estados Unidos.

Sullivan falou em uma “década decisiva” ao revelar essas pautas, que todo novo governo americano deve tornar públicas. O documento, de 48 páginas, abrange uma infinidade de temas e todos os cantos do planeta.

Para o assessor, a dificuldade está em conciliar uma lógica de “competição” e uma busca de “cooperação” diante das ameaças que pesam sobre toda a humanidade, independentemente das fronteiras: as mudanças climáticas, que, segundo ele, são “a maior ameaça comum”, mas também a fome, as doenças, o terrorismo e a inflação.

‘Tudo para ganhar’

“Nossa prioridade é manter nossa vantagem competitiva sobre a China, enquanto contemos uma Rússia ainda profundamente perigosa”, assinala o documento, assinado pelo presidente americano.

A Rússia de Vladimir Putin “representa uma ameaça imediata, violando de forma imprudente as leis básicas da atual ordem internacional”. A China, “ao contrário, é o único competidor com a intenção de mudar a ordem internacional e, cada vez mais, o poder econômico, diplomático, militar e tecnológico para avançar nesse objetivo”, assinala o texto.

Mas a China também é o maior parceiro comercial de Washington, lembrou Sullivan. Os Estados Unidos pretendem “modernizar o sistema atual de comércio internacional”, no impulso de um Biden que mostra um patriotismo econômico desinibido. “Em suma, não podemos voltar aos tradicionais acordos de livre-comércio do passado. Precisamos nos adaptar”, advertiu o assessor de Biden.

“Não tentaremos dividir o mundo em blocos rígidos. Não buscamos que a competição se transforme em confronto ou em uma nova Guerra Fria”, ressaltou Sullivan, em conversa com jornalistas.

Democracia desafiada

“Não acredito que a guerra na Ucrânia tenha mudado fundamentalmente o foco da política externa de Joe Biden, que data de bem antes da sua presidência”, declarou o assessor de segurança nacional.

Essa abordagem se aplica não apenas à parte de fora, mas também à parte de dentro das fronteiras dos Estados Unidos. “Nem sempre estivemos à altura dos nossos ideais, e, nos últimos anos, nossa democracia foi desafiada internamente”, afirma o documento divulgado pela Casa Branca.

“Como americanos, todos devemos concordar que a vontade do povo, expressa nas eleições, deve ser respeitada e protegida”, destaca o Executivo dos Estados Unidos. O alerta é feito a menos de um mês das eleições de meio de mandato no país.

Segundo pesquisa do “Washington Post”, a maioria dos candidatos republicanos ao Senado, à Câmara dos Representantes ou a cargos locais questionam ou contestam abertamente a eleição de Biden, a exemplo do ex-presidente Donald Trump.

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