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“Não há país mais parecido com o Brasil do que Angola”

No dia em que o Brasil comemora os 200 anos de Independência, o embaixador em Angola, Rafael Vidal fala, em entrevista ao Jornal de Angola, das semelhanças entre os dois países, com relações históricas. “Não há país mais parecido com o Brasil do que Angola, e não há país mais parecido com Angola do que o Brasil”, afirma o diplomata.

O Brasil assinala, hoje, o bicentenário da sua Independência. Duzentos anos depois, que ganhos teve o país?

O Brasil é a oitava economia do mundo, encontra-se em paz há mais de 150 anos, alimenta o mundo com sua agricultura, produz de alfinetes a aviões comerciais e desenvolveu uma economia formal, inovadora, com serviços de alto nnível. No plano político, é uma democracia consolidada e plural. No campo social, uma sociedade multiétnica, inclusiva, tolerante. Na justiça, um Estado de Direito. Ainda existem desafios pela frente, como a redução das desigualdades económicas, mas o Brasil conta com uma sociedade civil actuante, governo activo, um Congresso altivo e um poder judiciário alerta para a defesa dos direitos de todos. A Constituição brasileira de 1988 estabeleceu metas sociais, económicas e políticas ambiciosas e que vêm sendo cumpridas. O sistema de saúde pública, que também requer aperfeiçoamentos, pois somos 22 milhões, já apresenta avanços em inclusão das populações desamparadas, de forma gratuita, que se assemelha gradualmente ao modelo de bem-estar social. O mais importante: o Brasil e os brasileiros têm consciência dos seus problemas e buscam soluções. No plano externo, essas soluções são levadas ao mundo em desenvolvimento por meio da cooperação Sul-Sul, que actua em benefício do progresso social de nossos parceiros, dentre os quais um dos mais importantes é Angola.

O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a Independência de Angola. De lá para cá, que avaliação faz das relações políticas e económicas entre os dois países?

O reconhecimento da Independência de Angola não foi um gesto de importância apenas protocolar: foi uma manifestação de apoio à descolonização e de aviso às forças contra-revolucionárias de que o mundo estava mudando, e era necessário que as antigas potências coloniais mudassem com ele. Nesse sentido, vindo de uma grande nação como o Brasil, membro fundador das Nações Unidas e aliado do Ocidente na campanha da Segunda Guerra Mundial contra as forças desestabilizadoras da paz e da soberania, a posição do Brasil de saltar em defesa da soberania de Angola foi de grande relevância para impedir esses movimentos recolonizadores. De lá para cá, Brasil e Angola desenvolveram uma parceria estratégica, que actua nos terrenos político, económico, cultura, comercial, de cooperação e consular-cidadão. Angola e Brasil iniciaram sua irmandade muito anos da independência, estando ambas as nações na origem da formação social dos povos angolano e brasileiro, em mais de 500 anos de integração. Como costumo dizer, não há país mais parecido com o Brasil do que Angola, e não há país mais parecido com Angola do que o Brasil.

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