Comandante-geral da polícia de Moçambique lembra incursão que marcou arranque da guerra - Plataforma Media

Comandante-geral da polícia de Moçambique lembra incursão que marcou arranque da guerra

O comandante-geral da Polícia da República de Moçambique, Bernardino Rafael, lembrou hoje o ataque que marcou o início da guerra contra a insurgência armada em Cabo Delgado, durante uma visita de líderes dos antigos combatentes à vila de Mocímboa da Praia

“Um grupo de três indivíduos entrou neste comando alegando que queria prestar uma queixa […] Quando o oficial de permanência tirou o livro de ocorrência, eles atacaram-no com catanas e começaram os tiros. Afinal de contas o comando estava cercado”, explicou Bernardino Rafael, na porta do primeiro posto policial atacado pelos rebeldes que aterrorizam Cabo Delgado desde 2017.

O comandante-geral da polícia moçambicana falava para um grupo de líderes de antigos combatentes da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), que visitam o teatro operacional norte a convite do chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi.

Bernardino Rafael lembra que o ataque contra o posto policial da vila sede de Mocímboa da Praia, realizado em outubro de 2017, ocorreu em simultâneo com três outras incursões rebeldes contra posições das forças governamentais nas proximidades.

“Estava igualmente cercada a Polícia de Fronteira e, ao mesmo tempo, eles estavam a atacar o posto de controlo de Awasse. Também estavam a atacar, no mesmo momento, o comando da polícia de proteção dos recursos minerais entre Diaca e Awasse”, descreveu Bernardino Rafael.

“A história desta guerra começa aqui”, frisou Bernardino Rafael, apontando o posto policial de Mocímboa da Praia agora em ruínas.

A vila costeira foi aquela em que grupos armados protagonizaram o seu primeiro ataque no dia 05 de outubro de 2017, tendo sido, por muito tempo, descrita como a “base” dos rebeldes.

Após mais de um ano nas “mãos” de rebeldes, Mocímboa da Praia foi saqueada e quase todas as infraestruturas públicas e privadas foram destruídas, bem como os sistemas de energia, água, comunicações e hospitais.

No total, cerca de 62 mil pessoas, quase a totalidade da população, abandonaram a vila costeira devido ao conflito nos últimos quatro anos, com destaque para as fugas em massa que ocorreram após a intensificação das ações rebeldes em junho de 2020.

Mocímboa da Praia está situada a 70 quilómetros a sul da área de construção do projeto de exploração de gás natural conduzido por várias petrolíferas internacionais e liderado pela Total.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Há cerca de 800 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, incluindo Mocímboa da Praia, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio.

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