Início » Ativista denuncia na ONU “violação flagrante” de direitos civis e políticos em Macau

Ativista denuncia na ONU “violação flagrante” de direitos civis e políticos em Macau

Lusa

O ativista Jason Chau denunciou ontem na ONU a “violação flagrante” de direitos civis e políticos em Macau, disse o próprio à Lusa

“A proibição de candidatos às eleições por razões políticas é uma violação flagrante do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos”, afirmou em Genebra, perante o Comité dos Direitos Humanos da ONU, no momento em que está a ser revista a implementação do pacto em Macau.

Em causa está a desqualificação nas eleições de 2021 de candidatos à Assembleia Legislativa, precisou o coordenador de um grupo de investigadores com formação em estudos sociais, políticos e jurídicos denominado de Macau Research Group, que já tinha apresentado um relatório, mas que reuniu ontem com os membros do comité “para o apresentar em detalhe e responder a questões sobre os assuntos nele abordados”.

Leia mais sobre o assunto em: Democratas pressionados a mudar de estratégia

Jason Chao também destacou a proibição de vigílias contra a brutalidade da polícia em Hong Kong face aos protestos de 2019, e de luto por Tiananmen, o que aconteceu pela primeira vez em Macau e Hong Kong, os únicos territórios chineses onde as homenagens às vítimas de 04 de junho de 1989 eram toleradas.

Jason Chao lamentou que o Tribunal de Última Instância tivesse apoiado “interpretação arbitrária da polícia” que serviu para justificar a proibição e sublinhou que, para o Macau Research Group, com esta decisão, as forças de segurança passam a poder recusar a realização de qualquer manifestação “que o Governo de Macau considere politicamente intolerável”.

Vigília em Macau pelo Massacre de Tiananmen, em 2019. Fotografia de Gonçalo Lobo Pinheiro

Chao recordou que em 2013, o Comité dos Direitos Humanos da ONU “questionou o objetivo da polícia de registar os participantes nas manifestações”. E sustentou que “as provas mostram que a polícia manteve as gravações das manifestações durante pelo menos 11 anos e utilizou o material para apoiar as desqualificações dos candidatos das eleições de 2021”.

Ou seja, concluiu, “estes desenvolvimentos sugerem que Macau, China não respeita a Implementação do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e desafia as últimas observações conclusivas feitas pelo comité”.

Antes da reunião, já o Macau Research Group apresentara um relatório escrito ao Comité dos Direitos Humanos em que são abordados assuntos como o direito à greve, violência doméstica, videovigilância, liberdade de imprensa e direitos LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgéneros).

Outras organizações já submeteram as suas posições, como é o caso da Federação Juvenil de Macau, que garante que as associações no território podem expressar a sua opinião e que “a liberdade de expressão só é limitada em ocasiões específicas, em eventos como tufões ou a pandemia, por razões de interesse público”.

A federação juvenil assegura igualmente que “todos os residentes de Macau beneficiam do direito à manifestação pacífica”.

Contudo, para outra associação, a Macau Conscience, as autoridades da região administrativa especial chinesa estão a violar tanto a liberdade de expressão como de manifestação, frisando que a vigília e a exposição sobre Tiananmen foram proibidas, três décadas depois.

Chefe Executivo de Macau, Ho Iat Seng (à esquerda) e o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping (à direita)

E, por isso, escreveu à ONU, a ONG está preocupada com a possibilidade de “os esforços concertados das autoridades de Macau para reprimir eventos públicos que o Governo chinês considere politicamente sensíveis causarem ainda maior erosão na liberdade de expressão e de manifestação pacífica, garantida no Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos”.

Já a ONG Rainbow of Macau sublinhou que “a proteção jurídica contra a discriminação é inadequada em matéria de orientação sexual e inexistente em matéria de identidade de género”.

Contudo, a Sociedade de Macau para o Estudo dos Direitos Humanos, assegurou à ONU que não há qualquer registo de casos de discriminação de grupos LGBT+ no território.

A mesma entidade indicou que a liberdade de expressão e de imprensa tem sido “implementada profundamente e com êxito”.

Por outro lado, a Sociedade de Macau para o Estudo dos Direitos Humanos sustentou que o direito à manifestação está protegido por lei, que “a taxa de rejeição de pedidos é baixa” e que, “tal como em outras jurisdições (…) esta liberdade deverá ter as suas limitações”.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website