Primeiro-ministro italiano relaciona tragédia nos Alpes à mudança climática - Plataforma Media

Primeiro-ministro italiano relaciona tragédia nos Alpes à mudança climática

O primeiro-ministro italiano Mario Draghi relacionou, nesta segunda-feira (4), o deslizamento da geleira Marmolada “à degradação do meio ambiente e à situação climática”, ao visitar a região alpina. Pelo menos sete pessoas morreram e oito ficaram feridas na avalanche que ocorreu no domingo.

“Esta tragédia certamente tinha um elemento de imprevisibilidade, mas também está sem dúvida relacionada à degradação do meio ambiente e à situação climática”, garantiu Draghi após se reunir em Canazei (norte) com socorristas que buscam cerca de 14 desaparecidos.

Entre os feridos, dois estão graves e em cuidados intensivos, informou Luca Zaia, governador da região de Veneto.

As esperanças de encontrar sobreviventes “são quase nulas”, admitiu o chefe dos serviços de resgate Giorgio Gajer.

O desastre ocorreu um dia após o registro da temperatura recorde de 10°C no topo da geleira, enfraquecida pelo aquecimento global, além da onda de calor que atingiu toda a península italiana, que acelerou seu derretimento.

“É uma situação muito perigosa também para os socorristas”, que não podem avançar a pé, disse.

Helicópteros sobrevoam a área, de acordo com um fotógrafo da AFP no local.

Segundo a imprensa local, pelo menos três italianos e um tcheco estão entre os mortos.

Entre os feridos estão dois alemães, um homem de 67 anos e uma mulher de 58 anos, que se encontra em risco de morte, disse a agência médica de Veneto.

“Encontramos alguns corpos mutilados entre a pilha de gelo e detritos espalhados por mais de 1.000 metros”, disse Gino Comelli, das equipes de resgate de alta montanha, segundo o jornal Corriere della Sera.

Degelo acelerado

O colapso de parte da geleira Marmolada “é consequência das condições climáticas atuais, ou seja, de um episódio de calor antecipado que coincide com o problema do aquecimento global”, comentou à AFP o professor Massimo Frezzotti, do departamento de Ciências da Universidade Roma.

O papa Francisco afirmou no Twitter que “as tragédias que estamos vivendo devido à mudança climática devem nos encorajar a buscar buscar urgentemente novos meios que respeitem as pessoas e a natureza”.

“É um milagre estarmos vivos”, contou Stefano Dal Moro, engenheiro que estava na geleira com um amigo israelense.

“Ouvimos um barulho e, naquele momento, um mar de gelo se soltou. Não adiantava correr, só rezar”, disse ele ao jornal Corriere della Sera.

A geleira rompeu perto da cidade de Punta Rocca, trajeto habitual para chegar a seu cume.

Rainha das Dolomitas

Imagens filmadas de um abrigo mostram neve misturada com pedras rolando pela encosta da montanha.

Outras imagens tiradas por turistas com seus celulares mostram a avalanche de longe, arrastando tudo em seu caminho.

A geleira Marmolada, apelidada de “rainha das Dolomitas”, é a maior desta cordilheira no norte da Itália, que faz parte dos Alpes.

A velocidade do desprendimento foi de cerca de 300 km por hora, segundo cálculos da imprensa.

De acordo com o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em 1º de março, o derretimento do gelo e da neve é uma das 10 principais ameaças causadas pelo aquecimento global, perturbando ecossistemas e ameaçando infraestruturas.

O IPCC alertou que as geleiras da Escandinávia, Europa Central e Cáucaso podem perder de 60 a 80% de sua massa até o final do século.

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