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A guerra também se faz na internet

Nos últimos dias, cresce o rumor de que a Rússia pode ser desligada da rede global de internet.

Pedro Veiga, especialista em cibersegurança, diz que é pouco provável que isto possa concretizar-se, mas sublinha que a Ciberguerra é uma das vertentes deste conflito.

Na última semana, o Governo da Ucrânia pediu ao ICANN, a organização que supervisiona a internet, para boicotar a Rússia. Pedro Veiga, antigo coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança, diz que é muito difícil que isso possa concretizar-se.

“Com a digitalização que a sociedade atingiu e com o histórico de ciberataques que têm ocorrido nos últimos anos, esta é uma dimensão da guerra, é menos dramática e visível, mas também está presente neste conflito dramático. Da forma como é gerida a infraestrutura central da Internet, que depende de muitos operadores privados, é difícil este pedido da Ucrânia ser atendido. O que pode acontecer, à semelhança do que acontece com o petróleo, é alguns operadores internacionais decidirem desligar os circuitos de comunicações usados pela Rússia“.

Para Pedro Veiga, o pedido da Ucrânia viola os princípios do ICANN, a organização internacional que supervisiona o sistema global de nomes de domínio e endereços IP na internet. O antigo coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança também acha pouco provável que a Rússia possa “mudar-se” para uma rede de Internet própria.

“À semelhança do que a China já faz, que tem uma rede de Internet altamente protegida, em que os circuitos de entrada e saída são controlados pelo governo Chinês, a Rússia podia fazer isso, mas tem uma complexidade tecnológica que não é possível de um dia para o outro. Só seria possível a médio, longo prazo. Por outro lado, se desligarem, perdem acesso a serviços globais, com grande complexidade e custos económicos. Nestas situações, recorre-se a todos os meios para tentar prejudicar o adversário, mas recordo que existe, desde os ataques à Estónia em 2007, um centro de ciberdefesa da NATO e um documento que orienta e baliza a forma como vários países se devem defender de ciberataques”, explica.

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