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Eleitores na Austrália “desapontados e tristes” por não poderem votar

Lusa

Eleitores timorenses que residem na Austrália declararam-se hoje “desapontados e tristes” com a decisão da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de não permitir a realização da votação para as presidenciais nos três centros no país

Eleitores timorenses na Austrália não vão poder votar. “Tenho estado a receber muitos telefonemas de pessoas aqui sobre este assunto. Estamos desapontados e tristes com tudo isto”, disse à Lusa Jaimito Ximenes, que vive em Sydney.

“Compreendemos a situação atual e todas as questões de que não se puderam atualizar os cadernos eleitorais, mas aqui há muita gente com o registo em dia e que quer votar”, afirmou.

Em causa está uma polémica decisão da CNE timorense que, na terça-feira, véspera do arranque da campanha, deliberou que a votação para a primeira volta das presidenciais, marcada para 19 de março, não iria ser realizada nas assembleias de voto na Austrália por os cadernos eleitorais não terem sido atualizados.

A CNE indicou que “não haverá votação na Austrália” pelo que o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) “deve eliminar os centros de votação da Austrália” no processo eleitoral para a primeira volta das presidenciais, de acordo com uma decisão publicada no Jornal da República.

Na deliberação, a CNE instou o STAE a republicar a lista total das assembleias de voto para as presidenciais, excluindo os centros de votação da Austrália.

Em declarações à Lusa, na quinta-feira, o diretor-geral do STAE timorense criticou a decisão da CNE e adiantou que pode vir a ser contestada por alguns candidatos presidenciais e que o secretariado continua com os preparativos necessários para a votação nos três centros australianos.

Acilino Manuel Branco sublinhou que “a atualização dos cadernos é um ato administrativo, mas o direito de que tem está já recenseado não desaparece, está garantido e não pode ser cortado”.

Ximenes reconheceu que devido à situação da covid-19 “houve limitações” em movimentos que afetaram o normal processo de registo de eleitores.

Porém, argumentou que se tem evidenciado um “grande afastamento desta atual governação relativamente às comunidades timorenses” fora do país, neste caso na Austrália.

“Nós temos o direito de votar e queremos votar. Fazemos sempre isso, sempre votámos, sempre participámos e estão desapontados por não o poder fazer agora”, afirmou.

O presidente da Timorese United Association (TUA) em Nova Gales do Sul, Carlos Pereira, disse à Lusa que a comunidade está “bastante triste” e que a situação comprova que o Governo timorense “não tem qualquer interesse na comunidade da diáspora na Austrália”.

“Aqui fizemos muito pela luta de Timor-Leste, participámos em várias atividades até ganharmos a independência, mas uma vez a independência ganha, esqueceram-se de nós completamente”, afirmou.

“Muitas vezes, a comunidade pergunta-me porque é que estou tão preocupado com Timor-Leste quando eles não querem saber nada de mós”, acrescentou.

Insistiu que muitos timorenses o estão a contactar, desapontados por não poderem votar.

Uma outra eleitora timorense na Austrália Ana Ferreira apontou estar “muito desiludida” com uma “decisão incompreensível”.

“Estou mesmo desiludida. Quando soubemos que não podíamos votar aqui na Austrália, falei com o nosso cônsul que fez tudo por tudo para que fosse permitido que nos votássemos. Temos pessoas aqui que já trabalharam durante eleições anteriores e devíamos poder votar. Mas mesmo assim a CNE não aceita”, afirmou.

“Na Austrália, gritámos pela independência de Timor e num momento tão importante com as eleições presidenciais não nos deixam votar. Estou mesmo triste. Não sabemos o que fazer”, sublinhou.

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